Paullo Ramos: 50 anos de pinceladas

Documentário dirigido por Márcio Leandro conta a trajetória do artista plástico que conviveu com Nise da Silveira e agora usa sua arte para socializar autistas

Por O Dia

Márcio Leandro e Paullo Ramos durante uma pausa das gravações do documentário
Márcio Leandro e Paullo Ramos durante uma pausa das gravações do documentário -
A trajetória do artista plástico Paulo Ramos será contada no documentário “Paullo Ramos: 50 anos de pinceladas”, de Márcio Leandro de Oliveira. Assim como muitos trabalhos voltados para a área cultural, o diretor busca auxílio financeiro para finalizar a obra e quem quiser contribuir pode entrar no site https://benfeitoria.com/Doc50anosdepinceladas e fazer sua doação. A meta é arrecadar R$ 5 mil e fazer o lançamento no dia 11 de setembro, no Teatro Raul Cortez.

Márcio conheceu a força do trabalho de Paulo Ramos ao assistir slides que o pintor apresentou sobre sua trajetória pessoal no Biblioteca Municipal Governador Leonel de Moura Brizola, no Centro de Duque de Caxias. Era o dia 20 de março, quando a cidade comemora o Dia Municipal da Cultura e também aniversário de Paullo Ramos, que aproveitou para celebrar também seus 50 anos de vida artística.

“Eu me vi viu diante de uma história de vida tão única que disse para mim mesmo que isso não pode ficar só aqui”, recorda Márcio Leandro de Oliveira, há mais de 30 anos trabalhando com foto e filmagem. “ Os slides me causaram muito impacto”. O dia 20 de março é Dia Municipal da Cultural em Duque de Caxias numa homenagem ao artista, poeta, cordelista e produtor cultural Barboza Leite, que nasceu neste dia.

Ao realizar suas festas no dia 20 de março, Paullo Ramos também quer valorizar a importância do legado de Barbosa Lima. “Venho fazendo regularmente uma festa em 20 de março, não só para comemorar meu aniversário, mas principalmente para valorizar a importância de Barboza Leite para nossa cidade. Sempre procuro trazer uma mostra de artes plásticas e este 20 de março foi marcante, porque conseguimos trazer apresentações de vários artistas e poetas da cidade. Afinal, eu estava comemorando 50 anos de vida artística”, conta Paullo Ramos.

Toda semana, desde abril, Márcio Leandro filmou as conversas com Paullo Ramos na casa do artista, em um bairro próximo ao Centro de Caxias. “Já gravei toda a parte que podia com ele. Agora estamos colhendo depoimentos de 12 pessoas que fazem parte da trajetória do Paullo, em algum momento. Na verdade, precisaríamos ouvir dezenas de pessoas, mas alguns já faleceram, outros não moram mais na cidade e isso dificulta nosso trabalho. Mas já temos um bom material para editar”, comemora Leandro.

Ramos começou a expor seus trabalhos em 1969 e nunca mais parou. “É uma história de vida linda. Através de sua arte ele dialoga com autistas, por exemplo, o que tem dado bons resultados. Ao aprender desenho e pintura com Paullo Ramos, autistas conseguem interagir e progredir em sua socialização”, observa Márcio Leandro.

Nos bate-papos gravados Paullo Ramos contou sobre seu convívio com a psiquiatra Nise da Silveira, fundadora do Museu do Inconsciente, e o uso da arte para que autistas possam se expressar. “Eles interagem através dos símbolos. Minha obra mostra tudo isso. Enfim, meu delírio criativo”, brinca Paullo Ramos. Falando muito sério em seguida. “ Nas minhas telas, a destruição do meio ambiente não é só do meio ambiente, mas do interior do ser, do humano. Não sou um terapeuta, mas um provocador, que procura mostrar a cada um a força que ele tem dentro (de si), fazendo com que perceba que pode caminhar sozinho”.

Quem contribuir com a conta máxima para a vaquinha virtual, no valor de R$ 500, será recompensado com uma obra exclusiva do artista, com edição limitada. As pessoas que apoiam a iniciativa com R$ 35,00 (cota mínima), inscreve o nome nos créditos finais. Já quem entra com R$ 150, por exemplo, adquire uma reprodução autografada pelo artista, entre outras recompensas. Confira a escala de recompensas no site.

Ganhador de vários prêmios internacionais, como a comenda do Museu Fuji, em Tóquio, Paullo Ramos espera voltar a ver seu trabalho reconhecido por sua comunidade. “Meu primeiro prêmio foi em 1969, quando fiquei em 6º lugar no 2º Salão Duquecaxiense de Artes, um salão internacional, no Edifício Profissional, próximo à Praça Roberto Silveira, no coração de Caxias. Foi a minha estreia entre nomes como Rogério Torres, Messias Neiva, Romanelli e já com premiação. Eu pinto desde os oito anos. Poder, através de um documentário, disseminar ideias é mais do que uma honra”, confessa Paullo Ramos.
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