Terreiro de Joãozinho da Gomeia é tombado
Terreiro de Joãozinho da Gomeia é tombadoBárbara Dias| RioOnWatch/Divulgação
Por Igor Silva
Duque de Caxias - Foi aprovado, nesta quarta-feira, 24, o Projeto de Lei 2905/20, de autoria da deputada Mônica Francisco (PSOL), que determina o tombamento por interesse histórico e cultural da área do Terreiro de Joãozinho da Goméia, no município de Duque de Caxias. A proposição foi criada no período em que havia um movimento pela conservação do terreno, considerado sagrado pelos praticantes de religiões de matriz africana.
Para a parlamentar, que é vice-presidente da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional, é perfeitamente possível aliar o desenvolvimento com o patrimônio histórico-cultural das cidades. E quando se trata de espaços que fazem referência às religiões de matriz africana, em regiões em que são frequentes os ataques racistas a estes marcos, o cuidado deve ser ampliado.
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Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias - Divulgação
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de CaxiasDivulgação
“É preciso que todos compreendam que preservar a história é fundamental para o enriquecimento cultural, a valorização e o reconhecimento das práticas do Candomblé. Além disso, demarca as lutas e a resistência da população negra. O Terreiro de Joãozinho da Gomeia deve ser reconhecido como espaço de memória afetiva, de afirmação identitária e de disseminação da cultura afro-brasileira”, declarou Mônica Francisco.
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O projeto foi construído em diálogo com os descendentes espirituais de Joãozinho, que se organizam na Comissão da Goméia, com o Ministério Público Federal e conta com a coautoria dos deputados Luiz Paulo Corrêa da Rocha (Cidadania) e Waldeck Carneiro (PT).
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias - Divulgação
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de CaxiasDivulgação
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Quem foi Joãozinho da Goméia?
João Alves Torres Filho, o Joãozinho da Goméia, nasceu em Inhambupe-Ba, foi para Salvador ainda criança, onde começou sua trajetória religiosa. Devido aos movimentos tradicionais das mães de santo da Bahia, mudou-se para a Baixada Fluminense, estabeleceu seu terreiro em Duque de Caxias, na década de 60, onde alcançou fama.  
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Desfile da Escola de Samba do Grupo Especial, G.R.E.S Grande Rio, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no centro da cidade do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (24). Foto: Luciano Belford/Agência O Dia - Luciano Belford/Agência O Dia
Desfile da Escola de Samba do Grupo Especial, G.R.E.S Grande Rio, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no centro da cidade do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (24). Foto: Luciano Belford/Agência O DiaLuciano Belford/Agência O Dia
A vida e trajetória do mais famoso babalorixá do país foi contada no último carnaval pela agremiação caxiense. A Grande Rio fez um desfile histórico, alcançado o vice-campeonato. Nas redes sociais, a tricolor comemorou a notícia do tombamento com uma postagem.
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Construção de creche
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Em junho do ano passado, o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, anunciou que faria uma creche no local. Diante do anúncio, o Ministério Público Federal (MPF) pediu explicações a Reis e às secretarias municipais de educação e cultura. No dia 18 de julho, foi realizado o ato Abraço em Defesa do Terreiro da Gomeia. Uma semana depois, a prefeitura desistiu de construir a creche no espaço.