Candidatas ao governo Marília Arraes e Raquel Lyra votam em PernambucoReprodução Twitter

Recife - As candidatas ao governo de Pernambuco Marília Arraes (Solidariedade) e Raquel Lyra (PSDB) votaram na manhã deste domingo (30). Arraes exerceu seu direito de cidadã no Colégio GGE do Parnamirim, na zona norte do Recife, por volta das 9h20. Já Lyra participou do pleito às 11h30 em Caruaru, no Agreste, onde mora e foi prefeita por dois mandatos. 
Vestida de vermelho e acompanhada da família, Arraes disse estar confiante na virada. "Fizemos o que estava ao nosso alcance nesse segundo turno. Minha trajetória política sempre foi ao lado do povo, e o voto será consequência disso", declarou.
Lyra também foi acompanhada de familiares, além da candidata a vice dela, Priscila Krause (Cidadania). "Eu espero que os brasileiros e pernambucanos possam fazer sua melhor escolha. Que Deus continue nos abençoando e vamos aguardar o fim das apurações", disse após votar.
1ª governadora da história
Pernambuco elegerá hoje a primeira governadora, após definir o fim da hegemonia de 16 anos do PSB no Estado. Raquel Lyra (PSDB) e Marília Arraes (SD) disputam o Palácio Campo das Princesas em um segundo turno marcado por acusações e insinuações envolvendo os campeões de rejeição no Estado, o governador Paulo Câmara (PSB) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), além de uma batalha paralela de ações judiciais no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE).

Ainda no domingo do primeiro turno, recolhida no luto pela morte do marido, Raquel Lyra recebeu o apoio de Miguel Coelho (União Brasil), com quem a tucana tentou a convergência de candidaturas na pré-campanha. Nas semanas seguintes, a ex-prefeita de Caruaru reuniu apoios de legendas como o Podemos e o PP, além de parte expressiva do MDB. O PL de Anderson Ferreira não se posicionou, mas há proximidade.

A neutralidade na disputa nacional, porém, permitiu que lideranças de esquerda, rivais a Marília Arraes, também se reunissem no seu palanque. Parte do PT, que oficialmente apoia Marília, está com a tucana, assim como a maioria do PSB e algumas lideranças da Rede Sustentabilidade, como o deputado federal Túlio Gadelha. O parlamentar rachou a federação com o PSOL no Estado ao declarar apoio à tucana.

Diante da presença de diversos bolsonaristas e da neutralidade estratégica do palanque adversário, Marília Arraes aposta na associação de Raquel Lyra a Bolsonaro, dono de alta rejeição no Estado. O movimento foi reforçado quando a deputada recebeu o apoio formal de Lula, que no primeiro turno estava oficialmente com Danilo Cabral, candidato do PSB. Ela também conseguiu reunir em seu palanque adversários históricos, como o senador Humberto Costa (PT) e o prefeito João Campos (PSB), apoiadores do ex-presidente.

A batalha de rejeições também envolve o governador Paulo Câmara. Raquel Lyra insiste em colocar a adversária como uma candidata de continuidade após o PSB declarar, numa nota na qual não cita nomes, apoio a Marília Arraes. Em tempo: os socialistas liberaram as bases para apoiar a tucana, o que a candidata do Solidariedade denuncia.

Justiça
Essa disputa ainda ocupou as inserções televisivas, e também a Justiça Eleitoral. Raquel Lyra venceu diversas ações contra a campanha adversária por causa da associação entre sua candidatura e a de Bolsonaro.

Nessa reta final, Marília Arraes perdeu 49 inserções, mas insistiu nos debates que a neutralidade da tucana é na verdade uma forma de apoiar o atual presidente e enganar lulistas.
 
*Com informações do Estadão Conteúdo