Por rafael.arantes
Publicado 27/07/2013 21:25 | Atualizado 27/07/2013 21:26

Rio - As Três décadas após despontar como um dos melhores pontas-direitas do futebol brasileiro, Marinho luta para driblar o abandono com dignidade. Os tempos de fama e fortuna no Bangu, quando foi eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro de 1985 e chegou à Seleção, são só doces lembranças de um passado marcado por tragédias e dor.

Por onde anda%3F Marinho teve grande história no futebolUanderson Fernandes / Agência O Dia

No auge da carreira, Marinho perdeu o filho Marlon, de 1 ano e 7 meses, afogado na piscina de sua mansão. Uma perda irreparável e determinante para a sua cruel realidade. Com o que ganha hoje como coordenador do infantil e do juvenil do Bangu, somado à pequena aposentadoria da Fundação Garantia do Atleta Profissional (Fugap), o ex-camisa 7 mal consegue pagar o aluguel da casa onde vive só, em Realengo, e cuidar dos filhos mais novos, Mickail e Mickaela. Se não fosse o amigo Ari, da pensão ‘Barriga Cheia’, muitas vezes Marinho não teria onde comer, nem o dinheiro da passagem para trabalhar.

“Fui gastando o dinheiro, achando que nunca ia acabar. Hoje não estou apertado, estou enforcado”, lamenta. Mas a dor maior é a do esquecimento. “Eu me sinto abandonado. Já tive tudo, hoje não tenho nada. Não gosto nem de ver os jogos, lembro de muita coisa, machuca”, desabafa com os olhos marejados.

Marinho é nome marcante no passado do esporteUanderson Fernandes / Agência O Dia

Uma das maiores tristezas de Marinho foi não ter jogado a Copa de 86: “Estava no auge. Fiquei arrasado quando fui cortado. Foi a pior coisa que me aconteceu. Dói até hoje”, revela Marinho, que, na época, perdeu o prumo e mergulhou nas drogas.

“Quando caí nessa, perdi amigos e a moral. Mas graças a Deus me recuperei. Faz 22 anos que não uso mais”, garantiu o ex-jogador, que luta para se livrar da bebida. Sua maior alegria hoje são os filhos pequenos e o Bangu:“Estou muito feliz treinando a garotada. O futebol me levanta e me dá prazer. Assim vou vivendo”.

Uma vida que ele espera melhorar. “Daqui para frente vou olhar por mim. Quem precisa de apoio agora sou eu. Estou desabafando, pois a vida está muito difícil. Mas você vai ver, ainda vou dar a volta por cima legal”, avisa.

O filho mais novo que ‘caiu do céu’
A história de Marinho daria um filme. A privação extrema na infância, passando pelas agressões que sofreu em um internato, em Pirapora, são sofrimentos menores comparados a dramática perda do filho Marlon , de 1 ano e 7 meses, que morreu afogado na piscina de sua mansão, em 1988, enquanto ele dava entrevista a uma emissora de TV. Um trauma que ficou menor, após o nascimento de Mickail, de 4 anos.

“Nunca mais fui alegre, contador de piada e de bem com a vida, após a morte do Marlon. O Mickail lembra muito o outro. É a minha cara, joga conversa fora, é inteligente. Diz que é o ‘cara’ e que joga muito mais do eu (risos). Botei esse nome nele, porque ele me caiu do céu (Mickail).

Marinho tem grande carinho pelo filho mais novoUanderson Fernandes / Agência O Dia

Marinho faz tudo que pode pelo garoto e pela filha Mickaela. Dá banho, troca fralda, leva na escola e se esforça para ser bom pai. Após três casamentos desfeitos e oito filhos, os dois são a sua maior alegria.“Se encontrasse o gênio da lâmpada pediria para ter 22 anos e ganhar dinheiro com o futebol. Queria dar uma vida melhor para eles”.

Perda do Brasileiro de 85 ainda dói
Ídolo maior do Bangu, Marinho por muito pouco não foi campeão brasileiro em 1985. Se não fosse um erro do árbitro Romualdo Arppi Filho, que anulou um gol legítimo do atacante no fim da decisão contra o Coritiba, quando o jogo estava 1 a 1, o título teria ficado em Moça Bonita.

“Ninguém imaginava perder aquele jogo. Quando o juiz anulou o meu gol, não acreditei. Mas pelo que nosso time fez no campeonato, nos sentimos campeões”.

Outra grande passagem de Marinho foi no Atlético-MG, onde foi revelado nos anos 70.“Tudo o que eu aprendi no futebol foi no Galo. Sou atleticano até hoje”.

Tristes lembranças ainda atormentam MarinhoUanderson Fernandes / Agência O Dia


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