Espanha - Mesmo deixando claro, em nota oficial, que não assumiu qualquer delito fiscal, a direção do Barcelona pagou ontem R$ 43,4 milhões à receita espanhola referentes à contratação de Neymar. O gesto foi uma espécie de correção de valores pela sua aquisição ao Santos e uma tentativa de evitar pesada multa no futuro, prevenindo, ainda, possíveis interpretações que a Justiça tenha sobre os contratos com o jogador.
O valor corresponde a 24,75% dos R$ 125,4 milhões que o Barcelona pagou para as sociedades vinculadas ao jogador para fechar sua contratação — e que a promotoria espanhola entende que faz parte do salário de Neymar, e portanto considerado rendimento de trabalho.
“Em vista da existência de uma possível divergência interpretativa quanto às obrigações fiscais derivadas da contratação, para saldar possível dívida tributária derivada desta operação e defender o nome e a boa reputação do clube, o Barcelona apresentou a correspondente autoliquidação complementar. O objetivo é cobrir eventuais interpretações que possam dar aos contratos assinados pela contratação de Neymar, embora estejamos convencidos da licitude do inicial cumprimento das obrigações fiscais”, declarou o clube.
Na semana passada, o juiz da Audiência Nacional Pablo Ruz acusou o Barça, como pessoa jurídica, por fraude fiscal na aquisição de Neymar. Ruz concluiu que ele tinha no momento da contratação a condição fiscal de “não residente e a obrigação de tributação corresponderia ao Barcelona, o que corresponderia ao valor 24,75% do total”.
Com a reparação, o Barcelona poderá reduzir em até 62% o importe da multa, e pagará R$ 16,5 milhões se for condenado, já que, na Espanha, <MC0>a multa por fraude tributária é menor.
SUSPEITAS PAIRAM SOBRE O CLUBE
Apesar da atitude da diretoria, o Barcelona não se livrou da suspeita de divergência entre o valor declarado e o valor real da transferência de Neymar — o que levou o ex-presidente, Sandro Rosell, a renunciar ao cargo, agora ocupado pelo ex-vice, Josep Maria Bartomeu, até 2016.
O Ministério Público crê que cerca de R$ 30,1 milhões foram fraudados na negociação com o Santos, tirando como base o total de R$ 125,4 milhões pagos pelo jogador (adiantamento de R$ 33,1 milhões em 2011 e o restante, R$ 92,3 milhões, ano passado).





