Caça-Rato avisa: 'Aqui o CR7 sou eu'

Destaque do Santa Cruz tira onda com craque internacional

Por O Dia

Pernambuco - O Arruda não é palco da Copa do Mundo, mas é a casa do CR7. Não do Cristiano Ronaldo, eleito o melhor jogador do mundo, e, sim, de Flávio Caça-Rato. Em entrevista exclusiva, o folclórico camisa 7 do Santa Cruz esbanjou bom humor, falou sobre sua carreira, criticou o "xará" português e decretou: “É ele lá e eu aqui.”

Caça-Rato tira onda com Cristiano RonaldoCarlos Moraes

O DIA: Antes de tudo, de onde vem o apelido Caça-Rato?

Flávio Caça-Rato: Esse nome ridículo me persegue desde a infância. Com 13 anos, na comunidade onde morava, eu preferia matar os ratos que tinham no campinho do que jogar bola com a rapaziada. Pegava um estilingue e não errava um tiro. Parecia aqueles atiradores da S.W.A.T (tropa de elite da polícia dos EUA). Era só na cabeça (risos). Certo dia faltava uma pessoa para completar o time e falaram: "Chama aquele menino que caça rato." E o apelido pegou.

E o que achou quando lhe chamaram de CR7?

Gostei demais. Cristiano Ronaldo é um craque, eleito o melhor do mundo e me inventaram essas comparações.

Mas você considera seu futebol parecido com o dele?

Curiosamente, temos as mesmas características (em tom sério). Eu também gosto de cair pelos lados do campo, sou habilidoso, rápido e goleador. Só não tenho a mesma conta bancária que ele nem como os pratos chiques que ele deve comer. Quero ver ele encarar um buchada de bode como eu (risos).

Acompanhou a estreia de Portugal na Copa?

Sim. Tinha tudo para ser um jogão. Mas Portugal foi mal demais. Esperava mais do Cristiano Ronaldo. Ele esteve apagadinho e não saiu nada dos pés dele. Mesmo quando estão mal, Neymar e Messi têm personalidade e procuram o jogo. O Cristiano sumiu. Parecia preocupado em não forçar a parte física.

Caça-Rato é um dos destaques do Santa CruzCarlos Moraes

Você teria feito melhor?

Lógico. Pelo menos eu ia tentar ajudar o time e não me esconder. Ia fazer alguma coisa. Daria o sangue, pois era uma partida de Copa do Mundo. Não ia fazer o que ele fez. É muito fácil passar gel no cabelo e depilar a sobrancelha. Mas, sozinho, ninguém consegue nada. Por isso que futebol é um esporte coletivo.

Então, no Brasil, quem realmente é o CR7?

Sem dúvidas, aqui o CR7 sou eu. Ele pode tirar essa onda na Europa, mas no nosso país é comigo.

No Brasil, você já se considera um jogador folclórico?

Acredito que eu seja um jogador folclórico. Afinal, tenho um nome estranho pra caramba. Onde eu chego as pessoas me conhecem e ainda marquei gols muito importantes para o Santa Cruz. Meu nome está na história do clube e de Pernambuco. Para você ter uma ideia de como o meu nome incomoda, até o presidente pediu para eu passar a me chamar Flávio Recife quando cheguei. Mas aí marquei um gol na estreia e a torcida gritou "Caça-Rato".

Quem é o seu maior ídolo?

Ronaldinho. No auge, foi fantástico. Nunca vi ninguém com a habilidade igual a dele.

E quem você tem admirado na Copa do Mundo? Cristiano Ronaldo?

O futebol do Neymar me encanta. Cristiano Ronaldo, não. É ele lá e eu aqui (risos).

O que achou da partida da seleção brasileira contra o México?

O time poderia ter ido melhor, tem muita coisa a corrigir, mas a vitória só não veio por causa do goleiro deles, que fez um partidaço.

Em 2010, após uma discussão em uma festa você foi vítima de um atentado e levou dois tiros (um na perna e um nas costas). O que esse fato mudou na sua vida?

Foi muito difícil superar esse trauma, mas nunca pensei em deixar de jogar. Chorava muito com a minha mãe e enxerguei que a gente precisa valorizar a palavra de quem nos ama. Passei a prestar mais atenção na família. Não é por que eu vim da comunidade que estava livre dessas coisas. Aconteceu comigo e quase minha vida foi embora. Foi difícil mudar, mas hoje evito falar, ficar na rua, pois nem todo mundo está feliz com o sucesso do outro. Prefiro curtir a minha esposa que ficar na rua com quem diz que é amigo.

Com a Copa, vocês ganharam 10 dias de férias. Como foi a volta aos treinos?

Tem sido f... Fui inventar de comer muito, não fazer nenhum exercício físico e acabei ficando fora de forma (risos). Eu me apresentei cinco quilos acima do peso, mas acho que já emagreci três. Até a volta da Série B (dia 15 de julho contra o Vasco), acredito que vou estar em boas condições de jogo.

Você marcou o gol do título da Série C, em 2013. Até onde você acha que o Santa Cruz consegue chegar?

Temos um time muito encaixado e a expectativa é a melhor possível. Sabemos que a Série B é um campeonato difícil, muito disputado, mas já jogamos contra times considerados melhores e conseguimos bons resultados.

Últimas de Esporte