Por rafael.arantes

Rio - Se Felipão partir, como se imagina, para um esquema tático que povoe muito o meio campo, não dê liberdade aos alemães e, ao mesmo tempo, crie condições para contra-ataques rápidos, o Brasil terá boas chances de vitória. Com a volta de Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho poderiam fazer uma boa coordenação de ataque e liberar mais os laterais, aproveitando o potencial ofensivo de Maicon e Marcelo. Não seria o caso de retranca ou covardia, apenas uma forma de neutralizar os maiores recursos táticos do adversário e a sua evidente força de ataque.

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Se, com o decorrer da partida, mudanças fossem necessárias, haveria então a possibilidade de lançar Willian, Ramires ou até Bernard, em caso extremo. Dentro dessa nova conjuntura tática, Oscar teria também mais liberdade para ajudar Fred e Hulk, e o Brasil, com muita mobilidade, disporia de variações, já que a grande referência tática vai ficar apenas na saudade e na inspiração. Será uma tarefa complicada. Mas dá perfeitamente para sonhar.

Felipão promoverá mudanças para o jogo contra a AlemanhaAndré Luiz Mello

COM O CORAÇÃO

A história das Copas está cheia de exemplos de campeões que não eram exatamente os melhores, mas superaram rivais poderosos com alma e vontade superior. Como a Alemanha contra a Hungria em 54 e diante do carrossel holandês em 74, a Itália contra o Brasil em 82 e até, de certa forma, a Itália de novo contra a França de Zidane em 2006. O Brasil tem uma razoável força técnica para somar à extraordinária motivação depois da perda de Neymar e ao fato de estar em casa. ‘Sí, se puede’.

A NOVIDADE

Essa Copa tem grandes momentos e fatos incríveis para qualquer lado que se olhe. Foi algo inédito a decisão do técnico Van Gaal de substituir o goleiro no fim da prorrogação, colocando em campo o gigante Krul. Não apenas pela altura, mas pelas suas provocações aos batedores, talvez impressionando pela estatura. Funcionou e, pela primeira vez em uma Copa, um treinador usa esse recurso e dá certo. Pode fazer escola, embora envolva sempre um risco muito grande.

O FEITICEIRO

À medida que o jogo Holanda x Costa Rica avançava no tempo, os supersticiosos juravam que havia um feitiço — quem sabe, um sapo enterrado atrás do gol de Navas (um em cada lado?). Era mesmo inacreditável porque as dezenas de bolas chutadas pelos holandeses não entravam. A impressão era de que o jogo poderia durar anos que não sairia gol. Nos pênaltis, o sapo ou morreu ou pulou fora ou foi cooptado por Krul. O feitiço era mesmo o talento de Navas e dos seus zagueiros.

O DESFALQUE

Não é apenas o Brasil que sofre por Neymar. A Argentina perde Di María e esse é um desfalque seriíssimo porque ele se entende muito bem com Messi e o seu futebol veloz e técnico cai como uma luva. Tudo bem que ele não é a estrela da companhia e a Argentina vê Higuaín voltando a marcar e tem ainda a possibilidade de Agüero. Ainda assim, Sabella se vê em um dilema: se agir com cautela faltará rapidez nos contra-ataques. Se avançar muito, voltarão os erros da defesa.

A NOVA E TALENTOSA GERAÇÃO EUROPEIA

Duas seleções da Europa já eliminadas deixaram ótima impressão na Copa do Mundo. Sem esquecer a competência do novo futebol da sul-americana Colômbia, pode-se destacar França e Bélgica como futuros grandes times para a próxima Euro e a Copa de 2018 na Rússia. Os belgas terão amadurecido mais, com experiência de Copa, e poderão se impor com maior eficiência no seu estilo veloz e ofensivo. A França foi muito bem organizada pelo técnico Didier Deschamps e, com alguns retoques, voltará a brilhar como em outros tempos.

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