Por pedro.logato

Rio - Depois da dor, o alívio e o esforço para voltar à melhor forma. Peças importantes nas seleções brasileiras masculina e feminina de vôlei, Wallace e Thaísa foram obrigados a passar por cirurgias a apenas um ano da Olimpíada, justamente para estarem nas melhores condições em 2016. Agora, trabalham em dobro para acelerar a recuperação, ganhar ritmo e voltar à Seleção completamente recuperados.

Fora da fase final da Liga Mundial deste ano por causa de uma forte crise de dor nas costas, dias antes da competição, Wallace cansou de sofrer há anos com uma hérnia de disco e optou pela cirurgia, em agosto. Dois meses depois, o oposto já está de volta às quadras e até foi campeão mundial pelo Sada-Cruzeiro.

Quatro meses após cirurgia nos joelhos%2C a central do Nestlé-Osasco só na última semana começou a fazer todos os treinamentos em quadraDivulgação

“Antes eu tinha dor, mas era controlável, dor de atleta. Só que chegou uma hora que não dependia mais de mim. Tive que optar. O tratamento poderia dar certo ou não, e a cirurgia iria me deixar um tempo parado. Foi o que escolhi, estou bem, já saltando antes do previsto, o que me deixa muito tranquilo”, afirmou Wallace, que já sente muita diferença nestes primeiros meses e comemora como um ponto de título.

“Sinto dor em qualquer lugar, menos nas costas. O resto é fichinha perto do que sentia, era insuportável. Nem quero me lembrar mais disso. Começar a temporada sem dor é algo sensacional! Parece um toque de mágica. Estou muito feliz. Estou com uns 85%, 90% da minha condição”, ressaltou o jogador.

Wallace disse que já sente muita diferença nos primeiros mesesDivulgação

Mais tempo em recuperação ficou Thaísa. Quatro meses após cirurgia nos joelhos, a central do Nestlé-Osasco só na última semana começou a fazer todos os treinamentos em quadra. O medo ainda existe, mas a dor — por causa de lesão nos dois tendões patelares que a incomodava há dois anos — não faz mais parte do dia a dia.

“Já estou superbem, não sinto mais dor, isso é excelente. Ainda tenho um pouco de medo do contato, mas é natural após ficar muito tempo parada. Isso se perde com o treino. Agora é voltar ao ritmo, não vai dar para entrar em jogo e ficar direto. Preciso ter um pouco de paciência, mas eu penso positivamente. Quero estar 200% no retorno”, espera Thaísa.

E quem pensa que os dois jogadores de Seleção vão aliviar após as cirurgias está muito enganado. A menos de um ano para a Olimpíada, ninguém quer dar brecha e perder espaço na Seleção.

“Eles estão tentando me segurar, mas não penso em ir devagar, ao contrário. Preciso ir mais forte do que todo mundo para recuperar o meu ritmo e merecer estar na Seleção. Só tenho que cuidar para não passar do limite”, disse Thaísa.

“Lógico que tenho que tomar alguns cuidados por ser ano olímpico, principalmente na parte física. Mas será uma temporada pesada, tem muita gente brigando por uma vaga (na Seleção). E eu estou correndo atrás para buscar o meu lugar”, avisou Wallace.

PESQUISA PODE APONTAR LESÕES NOS JOGADORES

Mais do que nunca, ciência e esporte vão caminhar juntos na Superliga de vôlei. A Confederação Brasileira de Vôlei anunciou que vai investir pesado em uma pesquisa médica que pode apontar as principais lesões em jogadores. O trabalho será conduzido por João Grangeiro, diretor-médico do COB. Além disso, a entidade também vai traçar um conjunto de princípios contra a discriminação.

“Estamos construindo um arcabouço de algumas medidas de comunicação para que não haja discriminação. É uma tentativa de conscientização do torcedor. A discriminação como um todo, raça, credo, religião, tudo. Entendemos que nenhum esporte pode se valer desse tipo de ação”, afirmou Ricardo Trade, CEO da CBV.

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