Adeus a uma lenda

Craque como treinador, Valdir Espinosa não resiste a complicações de uma cirurgia e morre aos 72 anos

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O futebol brasileiro perdeu um de seus principais personagens. Alegre, comunicativo, cativante e competente, Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa, mais conhecido como Valdir Espinosa, morreu ontem, aos 72 anos, em virtude de complicações de uma cirurgia na região do abdômen. Ex-jogador (atuou por Grêmio, CSA, Esportivo e Caxias), foi como treinador que este gaúcho de Porto Alegre ficou famoso depois de pendurar as chuteiras, em 1978. Ele havia voltado ao Botafogo em dezembro como gerente de futebol, depois de, como treinador, tirar o Glorioso de uma fila de 21 anos sem título, na conquista do Carioca de 1989.

Espinosa iniciou a carreira no Esportivo-RS e conquistou o título de campeão do interior gaúcho, em 1979. Em 1980, outra taça para o currículo: campeão cearense pelo Ceará. Em 1981, faturou o Paranaense com o Londrina. Em 1983, já no Grêmio, vieram as conquistas mais importantes. Comandando um time com Renato Gaúcho, De León, Paulo César Caju e Mário Sérgio, ergueu a Libertadores e o Mundial Interclubes.

"O dia amanheceu mais triste. Perdi meu segundo pai, meu irmão mais velho, meu exemplo, meu grande e fraterno amigo. Foi pelas suas mãos que cheguei ao Grêmio e consegui dar para a minha família tudo o que sempre quis. Vai ser difícil superar mais essa perda. Ele sempre estará nos olhando, cuidando e guiando. Vai com Deus meu grande amigo", disse, emocionado, Renato Gaúcho, atual técnico gremista.

Com os títulos pelo Grêmio, Espinosa ganhou o mundo. Literalmente. Foi trabalhar na Arábia Saudita e manteve a doce rotina de erguer taças: campeão nacional pelo Al-Hilal, em 1985. Em 1987, faturou o Campeonato Paraguaio com o Cerro Porteño (repetiria o feito em 1992). Outra façanha aconteceu em 1989. Espinosa assumiu o Botafogo com um longo tabu a superar e entrou para a história ao encerrar 21 anos de jejum: campeão carioca com vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo, gol de Maurício.

"Pode dizer que aquela estrela que ele viu no céu em 1989 agora virou a casa dele. Muito obrigado por tudo. Beijo carinhoso", disse Carlos Augusto Montenegro, integrante do Comitê Executivo de Futebol do Botafogo, em alusão à frase dita por Espinosa em 1989 tão logo assumiu o time.

O Alvinegro decretou luto de três dias e também fez homenagens a ele: "É com muita dor e pesar que o Botafogo comunica o falecimento de Valdir Espinosa. Muito querido, vai fazer falta. Sua liderança, exemplo e ensinamentos seguirão no Botafogo como legado dessa figura tão representativa na história do clube".

A Fifa também mencionou o técnico com uma frase dele: "'No Grêmio, eu realizei um sonho. No Botafogo, eu terminei um pesadelo'. Descanse em paz, Valdir Espinosa".

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