Uefa vai aumentar parceria com a ConmebolDivulgação
Conversas nesses sentidos, de aproximar o futebol e as regras sul-americanas da expertise europeia, já estão sendo firmadas há pelo menos três anos, muito antes de as duas confederações se unirem para combater as novas ideias da Fifa, a principal delas diz respeito à realização de Copas do Mundo a cada dois anos. Conmebol e Uefa são contrárias à iniciativa.
Tanto para a Conmebol quanto para a Uefa, o torneio de seleções da Fifa inviabilizaria a aposta nas competições de clubes, como Liga dos Campeões e Copa Libertadores, duas das principais disputas de times dos dois continentes. A Fifa perde terreno nessa briga porque o calendário dos torneios de clubes são mais extensos e cada vez mais interessantes, enquanto que a disputa de seleções é feita a cada quatro anos e durante um mês apenas. Em 2022, a Copa do Mundo será no Catar, começando dia 21 de novembro, com final marcada para 18 de dezembro.
A licença conjunta para treinadores da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e Uefa é o primeiro passo dessa união. Todos os técnicos sul-americanos serão beneficiados A Conmebol pode ainda se valer da experiência de um de seus maiores problemas, inclusive no Brasil: o uso do VAR. O árbitro de vídeo já se mostrou eficaz, mas ele sofre no futebol brasileiro, com árbitros ruins e despreparados, diferentemente das partidas dos campeonatos nacionais na Europa, como Inglês, Alemão e Espanhol, por exemplo. Uma parceria para aprimorar esse uso pode ser feita em breve.
A Conmebol já tem como modelo algumas decisões adotadas pela Uefa, como a decisão da Libertadores em jogo único e em um país neutro, como foi a deste ano, entre Palmeiras e Flamengo, em Montevidéu, no Uruguai. As cotas pagas em dinheiro ao campeão também faz com que os clubes da Libertadores se interessem cada vez mais pelo torneio. Há dinheiro e prestígio em jogo, uma cópia fiel da Liga dos Campeões da Europa, cujo vencedor da edição passada foi o inglês Chelsea.
ESCRITÓRIO EM LONDRES
De Londres, Conmebol e Uefa poderão mostrar a força de suas competições de clubes para o restante do mundo, globalizar suas marcas e oferecer o jogo praticado nos países sul-americanos. O futebol brasileiro e argentino são os que mais despertam interesse nos torcedores, patrocinadores, agentes e público em geral.
Espera-se, com a aproximação do futebol dos continentes, que a classe dos dirigentes sul-americanos evolua, de modo a deixar os torneios nacionais mais fortes e mais bem organizados. Um terceiro passo pode ser a unificação dos calendários, seguindo o padrão europeu. Isso tornaria o trabalho de transferência de jogadores brasileiros, por exemplo, mais fácil.
"Sentimos uma grande satisfação pelos frutos que estamos colhendo junto com a Uefa a partir do excelente relacionamento entre nossas instituições. Com a assinatura desta renovação e extensão de nosso memorando de entendimento, estamos lançando as bases para que esta cooperação cresça e se desenvolva. A abertura de nosso escritório conjunto em Londres nos permitirá assumir novos projetos com agilidade e vigor para o benefício de milhões de torcedores em nossos continentes e ao redor do mundo", disse Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol. Em 1º de julho, um desses eventos juntos já está marcado. Trata-se de um jogo entre Argentina e Itália, do campeão da Copa América com o vencedor da Eurocopa. A partida será em Londres.
CONMEBOL MAIS FORTE POLITICAMENTE
Uma quarta intenção da parceria, segundo o Estadão apurou, é fortalecer o futebol feminino. O Brasil já está mais avançado nesse segmento em relação aos seus vizinhos do continente. Clubes como Barcelona, Paris Saint-Germain e outros estão muito mais adiantados do que seus colegas da América do Sul. A licença de treinadores também vale para o futebol feminino, o que coloca as duas modalidades em condições de igualdade.






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