Richarlison é jogador do TottenhamAFP
O camisa 9 continua no elenco dos ingleses e não tem sido relacionado para as partidas da temporada, chegando ao ponto de Roberto De Zerbi, técnico do clube do norte de Londres, afirmar que Richarlison não jogará mais pelo time. Além disso, a última esperança do brasileiro era retornar ao seu país para jogar por seu time do coração, o Vasco, mas a negociação não deu certo por discordâncias sobre o tempo de contrato, situação admitida pelo atacante em vídeo no Instagram.
Agora, as opções de Richarlison são escassas diante da cruzada iniciada com seu pedido para deixar o Tottenham. O cenário é ainda mais complicado pela perceptível tensão no vestiário, em um momento no qual o atacante permanece no elenco, mas sem espaço com o técnico italiano.
"São três caminhos (para Richarlison), em ordem de viabilidade. O primeiro, e mais provável, é um acordo com o Tottenham para a rescisão do contrato. O segundo é esperar a janela de janeiro para buscar uma transferência definitiva. O terceiro, e mais arriscado, é a rescisão unilateral por justa causa, caso o jogador consiga sustentar que o clube adota uma conduta abusiva para forçá-lo a sair. Se a FIFA não reconhecer a justa causa, o atleta pode ser responsabilizado por indenização", explica.
O especialista em direito desportivo lembra ainda que o contrato do atacante com o clube do norte de Londres vai até junho de 2027. Com isso, a partir de janeiro do próximo ano, Richarlison poderá assinar um pré-contrato com qualquer equipe e deixar o Tottenham ao fim do vínculo.
Rescisão por justa causa é alternativa mais arriscada
O jogador não faz parte dos 25 inscritos para disputar a Premier League e treina separado. Segundo Pedro Lopes, porém, a aplicação do artigo depende do cumprimento de três requisitos previstos no regulamento da Fifa.
Segundo o advogado, Richarlison cumpre os dois primeiros requisitos, mas encontra um obstáculo no terceiro. Isso porque a análise só pode ser feita ao fim da temporada, em maio de 2027, quando o contrato do atacante com o Tottenham já estará perto do fim.
Declarações de De Zerbi podem pesar em eventual disputa
Para Bernardo Marchesini, membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB/SC e sócio do RCA Advogados, a situação é delicada, mas as declarações do treinador podem ter peso em uma eventual disputa. Segundo ele, não escalar um jogador faz parte das prerrogativas técnicas do treinador, mas impedir de forma prolongada que o atleta tenha qualquer possibilidade de atuar é uma situação diferente.
Segundo Marchesini, caso a Fifa entenda que não houve motivo suficiente para a rescisão por culpa do Tottenham, Richarlison poderia ser obrigado a pagar uma indenização prevista no contrato. Por outro lado, se a justa causa for reconhecida, o jogador deixaria o clube sem essa obrigação.
Richarlison pode ficar livre para buscar outro clube
Bernardo Marchesini explica que um jogador que se torna agente livre pode ser registrado mesmo fora do período de transferências, desde que sejam respeitadas as normas da federação de destino. No Brasil, por exemplo, seria necessário observar os prazos estabelecidos pela CBF para inscrição no BID
Caso não consiga uma rescisão ou transferência antes disso, Richarlison ainda terá a possibilidade de cumprir o restante do vínculo com o Tottenham. O contrato do atacante com o clube inglês é válido até junho de 2027, quando ele ficará livre para definir seu próximo destino sem a barreira com o clube inglês.
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