Joias do Ninho e da Baixada: garotos do Flamengo jogam juntos há anos

Crias do Nova Iguaçu, Vitor Gabriel e Bill foram decisivos na conquista da Taça Rio

Por Yuri Eiras

Vitor Gabriel (o primeiro em pé, da esquerda para a direita), e Bill (o primeiro sentado) são crias da Baixada Fluminense
Vitor Gabriel (o primeiro em pé, da esquerda para a direita), e Bill (o primeiro sentado) são crias da Baixada Fluminense -

Rio - Bill já sabia o que fazer quando Rodinei cobrou o lateral no seu pé. O jovem atacante entrou aos 39 do segundo tempo justamente para fazer pressão ao Vasco, que vencia por 1 a 0. Deu certo. Assim que recebeu, Bill cruzou com perfeição na cabeça de Arrascaeta, que marcou o gol que levou a decisão para os pênaltis, e dali para o título da Taça Rio.

Quinze minutos antes, o auxiliar técnico Leomir havia colocado Vitor Gabriel no jogo. Ele e Bill são amigos de longa data, desde os tempos das categorias de base do Nova Iguaçu. Bill é visto pelos seus treinadores como driblador, e Vitor Gabriel gosta mais de ir direto ao gol. Em comum, ambos têm estrela. "Imagino que seja gratificante você trabalhar com um cara há tanto tempo, desde o juvenil, e conseguir um título com apenas um jogo como profissional, caso do Bill, e seis jogos, como o Vitor Gabriel. Eles devem se sentir mais à vontade por estarem juntos há muito tempo", festeja Elson Luis, irmão de Fabrício - Bill para os milhões de rubro-negros que já se sentem íntimos do garoto de 19 anos.

"Foi emocionante também pelo ritmo que o jogo estava. A partida estava quente, e a gente estava perdendo o jogo. E ele, com dez minutos, entrou e conseguiu fazer uma boa jogada que resultou no gol. Foi coisa de outro mundo, um sentimento inexplicável", celebra o irmão.

Garotos do Ninho e Frutos da Terra

Assim como o Flamengo apelida seus jovens atletas de 'Garotos do Ninho', o time do Nova Iguaçu os chama de 'Frutos da Terra'. Vitor Gabriel e Bill representam muito bem os dois. "O que fortalece o Nova Iguaçu é que os pais acreditam na gente. No futebol, você dá um passo errado e ele fica para a vida toda. A mãe e o pai do Bill, do Vitor, são pessoas que acreditaram na gente, confiam na gente, e a gente está sempre orientando. Eu não falo o que o jogador quer ouvir. Nós falamos o que o jogador precisa ouvir", definiu o presidente Jânio Moraes.

Técnico da equipe sub-17 do Nova Iguaçu, Jefter Percy treinou a dupla em 2014 e é só orgulho. "Bill é um jogador 'de rua', alegre, o estilo de jogo condiz com as características pessoais. Pra cima, de uma humildade fora do normal. Já o Vitor Gabriel era um pouquinho mais contido. Personalidade forte, principalmente na hora do jogo. É um garoto mais tranquilo. Gostava de brincar mais nos bastidores, no sapatinho", relembrou o ex-professor. Os dois jogadores despertaram as atenções da comissão técnica no campeonato local de Nova Iguaçu, quando tinham entre 13 e 14 anos.

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