Após mais de 20 anos no futebol, Juan avalia: 'Tenho mais a agradecer do que a lamentar'

Ídolo rubro-negro está prestes a reescrever nos bastidores a sua história no clube

Por MARCELO BERTOLDO

Juan pendurou as chuteiras nesta semana
Juan pendurou as chuteiras nesta semana -
Rio - Aos 40 anos, Juan escreveu, em rubro-negro, os últimos capítulos como jogador, com 332 jogos e o status de maior artilheiro entre os zagueiros do Flamengo, com 32 gols. Cria da Gávea, emprestou sua categoria e elegância a Bayer Leverkusen-ALE, Roma-ITA, Internacional e, merecidamente, à Seleção. Fã de Zico, elegeu o time campeão da Libertadores e do Mundial de 1981 como a sua 'SeleFla'. Prestes a reescrever nos bastidores a sua história no clube, vê a equipe atual madura e no caminho de conquistar um título expressivo que o torcedor tanto cobra.
23 ANOS DE CARREIRA
Eu me sinto realizado. Acho que tenho muito mais a agradecer do que a lamentar. A vida de jogador de futebol é muito difícil. A gente sabe a realidade que há no Brasil. Portanto, poder jogar tanto tempo em alto nível em alguns clubes, diferentes países e pela Seleção é motivo de orgulho.
PREPARAÇÃO PARA O ADEUS
A ficha cai aos poucos. Ainda é muito cedo, primeira semana de aposentadoria, mas a decisão foi tomada. Acho que não vou sentir falta. Foi algo pensado desde o ano passado. Tinha a certeza de que ao fim de 2018 eu pararia. O prazo se estendeu um pouco por conta da lesão (ruptura do tendão de Aquiles do tornozelo direito). Mas é um tempo que chega para todo mundo. O Flamengo tem um time forte, com jogadores jovens e de muito potencial. Mas acho que chega a hora e chegou o meu momento.
PRÓXIMOS PASSOS
Já tem uma programação definida no Flamengo. A parte prática é sempre a mais importante. Por isso, a diretoria me ofereceu o estágio para conhecer todas as áreas do clube e para entender como funciona do lado de fora e descobrir onde posso me encaixar. Eu me vejo ligado ao campo, aos atletas, ao treinador. É uma coisa de que gosto.
FOCO NA GESTÃO
Treinador, não. Descarto. É mais para uma espécie de coordenador, não sei se qual será o nome do cargo, mas é ligado a gerenciamento de futebol, de campo. Não a contratações, salários de jogadores, e, sim, à performance dentro de campo. É uma coisa de que gosto. No primeiro momento, é o perfil em que me encaixo.
DNA RUBRO-NEGRO
A experiência ajudará, mas a vivência do clube mais ainda. Conhecer o clube, o respeito que adquiri, tudo contribui. A forma como me comportei ao longo da carreira ajuda na relação tanto com os mais jovens quanto com os experientes. Tenho noção de que o Flamengo está me dando essa oportunidade pelo que represento e fiz fora de campo.
MENINOS DO NINHO
Para o clube foi muito difícil, para as famílias e também para a gente. Um momento bem delicado. Na semana do acidente, treinei com alguns desses meninos. Ficamos e ainda estamos abalados pela tragédia, que não tem volta. Todo mundo teve o sonho que esses meninos tinham e viveu essa rotina de concentração. Muitos de nós somos pais. Você começa a juntar tudo isso e vira um turbilhão de emoção, mas tem que superar. A vida é feita de desafios e superação e, dia após dia, precisamos superar esse momento e reerguer a imagem do clube.
NOTA PARA JUAN
É difícil fazer uma autoavaliação. Nunca parei para pensar sobre isso. Graças a Deus, consegui colocar todo o meu potencial para fora, por muito tempo. Trabalhei sério para isso. Um ponto positivo foi o meu profissionalismo. Fiz tudo o que podia fazer para jogar em alto nível.
REVELAÇÃO AOS 17 ANOS
Tive um ano difícil em 1998. O Flamengo foi mal. Eu também não joguei bem e voltei para os juniores em 1999. Faz parte do amadurecimento. Era uma outra época, o Brasil não exportava tantos jogadores. Havia um acúmulo de grandes nomes no nosso mercado, o que dificultava o espaço para os jovens. Foi um período importante na minha carreira. Voltei com outra cabeça, mais maduro.
MAIORES RIVAIS
Graças a Deus, enfrentei grandes atacantes. Talvez, por esse fato, tenha crescido tanto na posição. É difícil destacar um ou dois. Na minha geração e acima dela, enfrentei quase todos. Tive êxitos e momentos de dificuldade. Entre 17 e 19 anos, joguei contra Edmundo, que era o melhor atacante do futebol brasileiro. Cresci marcando o Romário nos treinos. Enfrentei Ronaldo...
COPA DO MUNDO E SELEÇÃO
É uma competição muito cruel. O mínimo erro pode custar a eliminação. Eu me sinto feliz pelo que fiz na Seleção. É muito difícil chegar lá e disputei quase 80 jogos, praticamente nove anos sendo convocado. É o topo, o sonho da carreira de todo jogador. Ter perdido duas Copas é a grande frustração, por mais que tenha feito tudo para ajudar o Brasil. É muito triste porque o sonho de todo jogador é ser campeão do mundo.
FRUSTRAÇÃO NO FLA
Pelo Flamengo, joguei quando era muito novo e, depois, muito velho. Fiquei 14 anos fora, vivi todo meu auge fora do Flamengo.
UM JOGADOR COMUM...
Depende o que se acha de um jogador comum. Não sei o que quis dizer na época (entrevista concedida aos 9 anos). Talvez tivesse apenas o sonho de fazer um jogo pelo Flamengo. Entendo que fui um jogador acima da média por tudo o que fiz dentro de campo. E com certeza mais do que pensava naquela época.
PRESSÃO POR TÍTULOS
O Flamengo está preparado. Esse título de expressão já poderia ter chegado. Batemos na trave na Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileiro do ano passado. Temos um elenco forte, que trabalha muito e em alto nível. A pressão vai existir sempre. Faz parte e sendo jogador do Flamengo não tem como fugir dela. Todos têm noção da responsabilidade de jogar pelo Flamengo. Com certeza, este ano, o Flamengo ganha um título importante.
 
 
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