Cinco assistentes sociais atuam no HSJA, são elas: Priscila Barros de Freitas; Juliana Silva Cescone; Eliene de Paula Figueiredo; Filomena Aparecida Fontes de Oliveira Silva, a Cidinha e Sandra Santiago Lopes de Oliveira. 
Cinco assistentes sociais atuam no HSJA, são elas: Priscila Barros de Freitas; Juliana Silva Cescone; Eliene de Paula Figueiredo; Filomena Aparecida Fontes de Oliveira Silva, a Cidinha e Sandra Santiago Lopes de Oliveira. Foto: divulgação/HSJA
Por Lili Bustilho
ITAPERUNA - Assistentes sociais conhecem de perto a realidade de cada paciente; cada caso tem suas características próprias. Por isso, a prática dos profissionais formados em Serviço Social é um desafio diário, que requer ética, responsabilidade e compromisso. A saúde pública tem várias dimensões. Mas todas tem uma mesma direção: profissões a serviço da saúde do ser humano e da coletividade sem discriminação. O Hospital São José do Avaí (HSJA) em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, prioriza o trabalho humanizado em todos o setores e por meio de cinco assistentes sociais, desenvolve desde o acolhimento até a recuperação do paciente devidamente assistido e orientados em diversos aspectos quando necessário ou requisitado. Na Unidade, elas se dividem em equipes que atuam no plantão, na gestão de leitos e nos setores de hemodiálise e oncologia.
Diante de um cenário de crescimento de atendimentos nos setores de análises clínicas, ambulatoriais e hospitalares, entre outros, em decorrência da Covid-19, O Dia inicia hoje (16/01/2021) a série de reportagem intitulada "Anjos da Vida". A ideia é abordar a atuação de cada profissão, explicando suas atribuições, passando por todas especialidades para tentar mostrar a árdua rotina e valorizar mais ainda os heróis e heroínas que vivenciam o dia a dia na saúde pública. Nesta primeira reportagem será apresentada a equipe do Serviço Social do Hospital São José do Avaí (HSJA). A unidade filantrópica que é referência em diversos setores especializados e atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente pacientes de toda a Região, permitiu a entrevista de O Dia com suas assistentes sociais. Sensibilidade, discernimento e serenidade são atributos indispensáveis para as profissionais que ajudam e auxiliam dezenas de pessoas diariamente a resolver os mais diferentes problemas se dedicando à garantia dos direitos fundamentais da população mais desfavorecida; trabalhando pela cidadania e pela redução das desigualdades. São elas: Filomena Aparecida Fontes de Oliveira Silva, a Cidinha; Sandra Santiago Lopes de Oliveira; Eliene de Paula Figueiredo; Priscila Barros de Freitas e Juliana Silva Cescone.
Publicidade
As assistentes sociais assumem o papel de verdadeiros "anjos da guarda". Elas trabalham com a certeza de que poderão fazer a diferença e ser a acolhida indispensável em qualquer hora. Assim é a rotina da maioria dos profissionais que tem como ocupação principal o bem-estar e cuidado de pessoas em situações mais delicadas ou vulneráveis. 
Exercendo suas atividades no atendimento do plantão, Cidinha, que possui cerca de 13 anos de profissão, e Priscila, atuante há 2 anos, se dedicam em serviços que desempenham longe dos holofotes, como as colegas, nos bastidores, mas com funções imprescindíveis no acolhimento do paciente ou familiar seguindo pela recuperação e em um trabalho amplo, que não para. Já Sandra que já foi funcionária do HSJA por 10 anos, porém no setor de hemodinâmica, antes de formada, retornou há cerca de 5 anos à Unidade como assistente social na parte ambulatorial da oncologia. Eliene é a responsável pela gestão de leitos e Juliana trabalha no setor de hemodiálise.
Publicidade
Escolha da profissão - Muitos destes profissionais ingressaram na área movidos pelo sentimento de solidariedade, que transforma-se no empenho em levar à população os conhecimentos necessários para a garantia dos seus direitos. Exemplo são as assistentes sociais Filomena Aparecida e Priscila. "Desde minha infância era visível minha vocação para o Serviço Social. Sempre tive um olhar diferenciado junto aos marginalizados e vulneráveis. Quando adolescente comecei a pesquisar sobre a profissão e então resolvi fazer o vestibular na UFF onde me formei. Sempre fui apaixonada pelo Serviço Social e amo o que faço", citou Cidinha.  Continua após foto.
Assistente social itaperunense, Filomena Aparecida Fontes de Oliveira Silva, a Cidinha, 45 anos, já residiu em Bom Jesus do Itabapoana e há 6 anos voltou a morar em Itaperuna. - Foto: arquivo pessoal
Assistente social itaperunense, Filomena Aparecida Fontes de Oliveira Silva, a Cidinha, 45 anos, já residiu em Bom Jesus do Itabapoana e há 6 anos voltou a morar em Itaperuna.Foto: arquivo pessoal
 
Publicidade
"A escolha da profissão veio por eu ver que uma pessoa precisa ser vista como um todo: Ser humano, cidadão, filho de Deus. Ver as necessidades e de alguma forma querer dar uma direção, um auxílio, uma mão. E ao conhecer a profissão vi que nada mais era mediar o que o ser humano tem por direito receber. Sou formada há 10 anos e exerço a profissão 2 anos e meio," contou Priscila. Continua após foto.
A assistente social Priscila Barros de Freitas, 32 anos; natural de São Gonçalo, RJ; mora há 6 anos em Itaperuna. - Foto: arquivo pessoal
A assistente social Priscila Barros de Freitas, 32 anos; natural de São Gonçalo, RJ; mora há 6 anos em Itaperuna.Foto: arquivo pessoal
Publicidade
Buscando um mundo melhor, os profissionais de Serviço Social firmam um compromisso em prol da sociedade, em que prezam pela garantia da igualdade dos direitos humanos em serviços essenciais. Um olhar apurado para o próximo e o intenso desejo de ajudar a sociedade, seja paciente ou familiar, que necessita de auxílio e direcionamento para conhecer ou garantir seus direitos muitas vezes desconhecidos. Essas são algumas das atribuições que fazem do assistente social um ombro amigo na vida de uma pessoa, principalmente daquelas que enfrentam problemas de saúde, ou dos que são surpreendidos pela doença de algum parente ou amigo e passam a assumir o papel de "responsável" pelo paciente. Nessa hora muitos ficam perdidos, ou seja, sem direção diante de tantas atitudes para conduzir. Tudo começa com a compreensão da realidade que os cercam, entendendo as diferenças entre os indivíduos e as camadas sociais.
Sandra demonstra o dom nato pela profissão. "Desde sempre as pessoas me procuraram para ajudar a resolver alguma coisa. Então toda a família e amigos começaram a indagar porque eu não fazia faculdade de Serviço Social nesse tempo a Redentor ofereceu o curso então pude realizar. Minha turma foi a primeira de Itaperuna", disse. Continua após foto.
Assistente social há 14 anos, Sandra Santiago Lopes de Oliveira de 56 anos é nascida no RJ; mora há 31 anos em Itaperuna. - Foto: arquivo pessoal
Assistente social há 14 anos, Sandra Santiago Lopes de Oliveira de 56 anos é nascida no RJ; mora há 31 anos em Itaperuna.Foto: arquivo pessoal
Publicidade
Eliene se envolveu com o curso durante a graduação e se apaixonou. "Uma colega me convidou para fazer o vestibular e ela já faria na área especifica para o Serviço Social, eu não conhecia nada da área, então pesquisei sobre o curso, as áreas que poderia ingressar e também em relação as disciplinas e temáticas abordadas. Quando passei saí de Guaçuí para Itaperuna. Durante o curso fui gostando cada vez mais. Tive a oportunidade de fazer estágio tanto na área da educação como na saúde e no Fórum. Adquiri bastante conhecimento e isso me proporcionou uma visão bem diferenciada das áreas", citou. Continua após foto.
A assistente social Eliene de Paula Figueiredo, 38 anos; natural de Guaçui, no ES; mora há 4 anos em Itaperuna. Em 2011, ela cursou a faculdade em Itaperuna e após formada voltou para a cidade natal retornando ao Noroeste Fluminense em 2016.  - Foto: divulgação
A assistente social Eliene de Paula Figueiredo, 38 anos; natural de Guaçui, no ES; mora há 4 anos em Itaperuna. Em 2011, ela cursou a faculdade em Itaperuna e após formada voltou para a cidade natal retornando ao Noroeste Fluminense em 2016. Foto: divulgação
Publicidade
Juliana Cescone também faz parte das profissionais que carregam em sua essência o amor ao próximo. "Sempre tive um olhar diferenciado em relação às questões sociais, a Humanização e ao acolhimento, portanto a escolha pelo curso de Serviço Social foi para prestar uma assistência mais humanizada, mais justa, mais solidária. Como escreveu Jean-Paul Sartre: Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo", salientou. Continua após foto.
Assistente social itaperunense, Juliana Silva Cescone; 33 anos. - Foto: arquivo pessoal
Assistente social itaperunense, Juliana Silva Cescone; 33 anos.Foto: arquivo pessoal
Publicidade
Heróis e heroínas da realidade, estão sempre dispostos a fazer o melhor e cabe a esses compreender o indivíduo e garantir direitos. Seus instrumentos de batalha não são machados, capas, raios e visões de laser, embora algumas vezes sonhassem em ter, mas sim, o dom, habilidade e técnica de anos de estudos associados ao amor ao próximo.
Serviço Social atuando nos setores do hospital
Publicidade
Cidinha atende as demandas espontâneas do plantão desde a pré-internação até a desospitalização. “Muitos chegam até nossa sala perguntando como fazem para obter um exame ou para mais orientações sobre uma internação pedida pelo médico. Às vezes os pacientes chegam com um problema e na conversa, entrevista, verificamos que a patologia tem várias situações que a gente necessita ajudar até mesmo a família para que eles consigam resolver essa patologia que pode ter muitas coisas interligadas a um problema. Trabalhamos de forma interdisciplinar, principalmente, o objetivo é que ele volte para casa com segurança, então, em algumas ocasiões se faz necessário acionarmos a rede de assistência, de saúde, para apoiar. Somos o elo entre a família, o paciente e a comunidade. No primeiro atendimento temos que observar detalhes e o que pode estar por trás, é necessário um olhar diferenciado para garantirmos todos os direitos do paciente”, explicou.
Sandra explica que na oncologia o trabalho é feito também intermediando a relação entre o médico e a família do paciente, no que diz respeito geralmente as necessidades de laudos, por exemplo, para os assistidos garantirem seus direitos. Muitos pacientes diante de uma doença precisam de condições vindas do poder público para manter seus sustentos então precisam de documentação especificas e desta maneira o Serviço Social auxilia nesta fase providenciando o mais rápido possível o necessário. “Uma das recorrentes demandas são de laudos médicos, pois estes servem para perícia médica, para retirada de fundo de garantia, enfim, para tudo. Por serem muitos pacientes dificulta sem ter uma assistente social tanto a emissão como a solicitação, avaliando essa condição passei a fazer uma triagem, o paciente me pede e eu peço ao doutor e repasso ao assistido. Na oncologia há pacientes que tratam uma vez por semana, então eles me avisam o que precisam e eu peço para me ligarem na véspera do retorno para verificar se a documentação está pronta ou o que ainda falta. Isso agiliza a consulta, porque reduz qualquer interrupção, parar um atendimento acaba atrapalhando a consulta e é claro facilita para quem não precisa ficar com frequência insistindo e e locomovendo. Quando o médico tem disponibilidade é feito imediatamente, mas nem sempre isso é possível. Temos cerca de 50 atendimentos por dia então intermediar é fundamental”, esclareceu.
Publicidade
Juliana explica sobre um diferencial na equipe que realiza acompanhamentos domiciliares em casos necessários. "As visitas são realizadas semestralmente nas residências dos pacientes que realizam a Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua (CAPD), afim de orientar os familiares e pacientes quanto a prática de auto-cuidado no domicílio, buscar identificar fatores que propiciam ou não a adesão ao tratamento, reforçar a orientação sobre a doença, o tratamento e a importância da adesão, coletar informações sobre as condições sócio-econômicas da família através da observação e avaliação social. A principal diferença desse tratamento é que ele pode ser realizado em casa, onde um familiar ou cuidador é treinado para realizar a terapia em domicílio", enfatizou.
Eliene que já atuou na Ouvidoria, esteve um tempo na oncologia e está na gestão de leitos que trabalha junto ao NIR que é o Núcleo Interno de Regulação. “Trabalho em todo contexto do hospital, todas as quartas-feiras estou com a Juliana na sala de atendimento do Serviço Social. Nos outros dia estou nas alas vendo a questão de altas dos pacientes, vendo o que o paciente está precisando, vendo as dificuldades de entender a linguagem técnica, fazendo a mediação entre o paciente e o médico para mais esclarecimentos caso algo não tenha ficado claro. Se necessário ligo para o médico assistente para sanar as dúvidas mesmo porque nem tudo nós podemos estar relatando, muita coisa é a parte que tem que ser dita pelos próprios médicos. Vemos questões de documentações que um paciente necessite. Realmente neste tempo de pandemia estamos lidando muito mais com as famílias, por não ser permitido visitas. Muitos setores nós podemos ter contato e a família não então recebemos pedidos para mediar e trazer notícias. Recebemos pacientes de fora do estado, temos casos de pessoas do Ceará, então a dificuldade de comunicação com notícias nos faz acolher em todos os sentidos e mediando passar uma segurança aos parentes que anseiam por informações”, disse.
Publicidade
Priscila enfatiza que o Serviço Social possibilita o elo entre família, paciente, médico e redes assistências de saúde. “Dentro do hospital somos o setor do acolhimento. Acolhemos a família, o paciente, o médico e levamos o suporte que ele precisa. Temos que olhar o ser humano na sua totalidade, aquilo que a pessoas precisa receber para sua dignidade. Nesse tempo de pandemia, inicialmente, fazíamos a ponte dos médicos que nos passavam os boletins e transmitíamos aos familiares. Identificamos a demanda de pacientes internados, encaminhamos para as redes assistências, tem parentes que precisamos indicar a ida à casa de apoio porque vieram de longe então pode ficar como acompanhantes por causa da pandemia”, contou.
Alguns pacientes que não entendem a linguagem técnica e ficam tímidos em fazer muitas perguntas diretamente ao médico e preferem buscar auxílio no Serviço Social. Neste tempo de pandemia, a demanda considerada espontânea subiu de aproximadamente 30 para 50 ou mais por dia. O Setor se torna a “extensão” da família para muitos, tendo em vista que visitas foram suspensas em atendimento as normas da OMS como destaca Filomena Aparecida. A gente representa o parente ao levar informações, passar recados entre eles. Isso se intensificou durante a pandemia. Sem contato, os parentes ficam aflitos e temos que valorizar o amor que há entre eles. Tentamos amenizar e ser o suporte para cada um. O número de atendimentos pode não ser grande, pois recebemos o familiar que vem com uma ansiedade e tensão muito grande então o atendimento tem que ser delicado e bem específico, sem um tempo cronometrado para que o resultado ao final de tudo seja o melhor possível”.
Publicidade
Equipe multidisciplinar – O Serviço Social atua em conjunto com outras especialidades. Todas as assistentes sociais durante a entrevista destacam a integração com setores como a Psicologia, Enfermagem e médicos, o que permite que etapas não sejam repetidas nos atendimentos. Quando um paciente expõe suas dificuldades, angústias, ou sentimentos, o profissional que detectar primeiro algo específico já atua com os demais e trocam as informações em si.

Juliana ressalta que a hemodiálise atende pacientes de 14 municípios na Região e a maioria chega fragilizado ao início do tratamento, ao receberem a notícia da necessidade do tratamento chegam com ansiedade ou medo e passam por toda equipe multidisciplinar que nesse caso, abrange nutricionista, enfermeiro, médicos e psicólogos. “Não pensamos só enquanto o paciente está no hospital, pensamos nele como um todo. Muitos não possuem o mínimo social então lutamos para conseguir isso para eles. O dia a dia já é exaustivo por virem três vezes na semana, ficam em média por quatro horas por dia e isso é cansativo. Temos pacientes idosos que enfrentam também questões de dificuldades de transporte. Por virem de longe saem de suas casas ainda de madrugada, então precisamos trabalhar com cuidado e tratando cada um de maneira específica. Quando chego a minha casa e deito no travesseiro sabendo que fiz o melhor que pude e lembrando do carinho de cada paciente quando conseguimos ajudá-los é muito gratificante”, comentou.
Publicidade
Visita às secretarias de saúde da Região - O HSJA possibilitou o recrutamento de profissionais da Unidade do setor de oncologia em uma visita às secretarias de saúde dos municípios permitindo a abertura do contato entres os órgãos, o que estreita laços e agiliza os serviços. Divididos em dias, os profissionais conheceram os locais e colegas que devem se reportar em cada dificuldade para auxiliar melhor o paciente. “Foi criado um grupo com todos os responsáveis das secretarias para mantermos contato quando precisarmos e isso agilizou a vida deles, pois com essa época de pandemia pacientes de oncologia não podem ficar vindo muito a não ser quem precisa de atendimento presencial. Já para pegar um remédio oral, ele não precisa vir de outro município, através do motorista da ambulância é levado a medicação do que não precisa estar no hospital e isso permite inclusive que diminua o fluxo de pessoas viajando entre as cidades sem necessidade ficando expostos. O objetivo é sempre fazer o melhor para cada um”, concluem Sandra e Eliene.

Anjos da vida é apenas um dos muitos sinônimos para os profissionais da saúde. Cada um assumindo uma atividade específica. Eles ou elas tem o compromisso com o ser "humano". O amor ao próximo é uma das maiores qualidades de quem trabalha em unidades hospitalares, consultórios ou laboratórios, por exemplo. Curar quando for possível; aliviar o necessário; consolar em todos momentos; cuidar de detalhes administrativos ou técnicos; acolher; orientar; garantir a higienização e limpeza do ambiente hospitalar; zelar pela segurança e a ordem no interior das instituições; manter em funcionamento equipamentos; diagnosticar; manusear e aplicar medicamentos...ufa...atribuições que não terminam quando se tratam de funcionários/colaboradores que trabalham na área de saúde nos mais diversos serviços e funções que são essenciais para a sociedade.