Por O Dia
ITAPERUNA - A possível falta de alguns tipos de medicamentos na farmácia do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) localizada no bairro Cehab, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, foi motivo de reclamação de uma moradora da cidade em suas redes sociais. Outro questionamento apontado é relacionado a "substituição" de um farmacêutico experiente no setor por dois profissionais, o que segundo a Itaperunense Flávia Pires, teria gerado um aumento desnecessário de gastos aos cofres públicos.
Para Flávia, a farmácia está situada em um local de difícil acesso aos demais bairros e também por ser um estabelecimento pequeno se torna incompreensível a troca do funcionário que resultou em mais despesas ao município. "Sei da dificuldade de pacientes do CAPS em se locomoverem para buscar remédios então me disponibilizo e pego para três pessoas, pois a maioria não tem como sair de casa para buscar. Muitos tem pânico e não conseguem entrar no transporte público e outros não tem dinheiro para a passagem. Paciente de CAPS depende muito das medicações para não interromperem seus tratamentos. Cheguei lá para pedir o Quetiapina para uma assistida do CAPS 2 e me disseram que não tinha", salientou.
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Em entrevista ao O DIA, Flávia Pires ainda acrescentou que "tendo um farmacêutico competente da saúde mental que conhecia cada paciente, que sabia o tempo certo de cada medicação usada por uma determinada pessoa e de certa forma, por estar na unidade há alguns anos, sabia até os remédios que são pedidos de uso contínuo por cada um, o que facilita o controle e evita que falte algum tipo, é inexplicável tirá-lo do setor. A forma do farmacêutico de CAPS lidar com um paciente ou familiar mesmo que para explicar que não tem a medicação é diferenciada. Saúde mental é diferente de saúde comum. A saúde mental precisa de vínculo e quando isso se cria com o paciente é algo diferente de tudo! O elo do profissional com o paciente é um diferencial positivo no tratamento. É muito difícil entender o motivo de tirar um para colocar dois em um estabelecimento que tem inclusive um espaço pequeno", pontuou
O morador Cláudio Brandão, do bairro Frigorífico, também ressalta que a atenção aos usuários do CAPS deve ser desde não somente com o atendimento médico, mas inclusive com o fornecimento de medicações. "É muito complicado faltar remédio ao paciente que trata de saúde mental. Minha irmã depende da farmácia do CAPS porque não tem condições de arcar com a compra assim como a maioria dos pacientes. Um dia sem o remédio faz muita falta e prejudica demais o tratamento. É uma regressão no quadro do paciente e da família que geralmente luta junto contra o problema mental do familiar", destacou.
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O DIA fez contato com a prefeitura que enviou a seguinte nota sobre os questionamento: "A Prefeitura de Itaperuna, através da Secretaria Municipal de Saúde, informa que no momento não há falta de medicamentos, inclusive, já foi realizado levantamento sobre medicamentos que poderão vir a faltar, buscando comprá-los com antecedência." Em relação ao funcionário a prefeitura explicou que "A substituição de farmacêutico foi em função de a Secretaria está trabalhando na implementação do Centro de Autistas e a profissional que entrou, possui experiência na área. Vale lembrar que a segunda profissional atuante no setor é servidora de carreira. A Secretaria vem se empenhando para ampliar e melhorar o serviço de atendimento para a população."
Por fim o município orienta que "Ainda é importante lembrar que reclamações ou sugestões devem ser encaminhadas ao setor de Ouvidoria, onde todos os casos estão sendo analisados".
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OUVIDORIA - Atendimento presencial de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h no Centro de Saúde Dr. Raul Travassos, localizado na Rua 10 de Maio, 893, Centro. Os e-mails [email protected] | [email protected] são outras formas de comunicação junto ao setor.