Moradora é baleada durante ação da PM no Complexo da Maré

Polícia vai investigar de onde partiu tiro. Denúncia de O DIA motivou operação contra 'esquenta' de carros roubados

Por thiago.antunes

Rio - A moradora do Parque União, no Complexo da Maré, Ariana da Silva Pereira, de 26 anos, foi ferida por um tiro na axila esquerda durante ação da Polícia Militar no local que estourou um depósito de carros roubados e clonados no local, nesta segunda-feira. Durante a operação houve troca de tiros e, segundo policiais, ela foi socorrida por um vizinho, já que o confronto intenso continuava na comunidade.

Ariana chegou ao Hospital Geral de Bonsucesso às 15h30. Segundo testemunhas, ela estava lúcida e falando. Até o fim da noite, não havia informações sobre o estado de saúde da jovem. A polícia vai investigar de onde partiu o tiro que feriu a moradora. Ainda durante a operação, PMs checaram a procedência de veículos suspeitos que entravam na favela.

Agentes apreenderam sete carros roubados durante a operação desta segunda-feira e mandaram para a perícia a fim de checar se foram clonados Severino Silva / Agência O Dia

Ação após denúncia de O DIA

Agentes do 22º BPM (Maré) foram à comunidade Parque União checar a denúncia feita ontem por O DIA sobre a fábrica de clonagem de automóveis, um audacioso e lucrativo esquema mantido por criminosos com apoio do tráfico da região. Sete carros roubados foram encontrados no local, além de placas, documentos e lacres para falsificar veículos. Durante a operação, houve troca de tiros e uma moradora ficou ferida.

O DIA revelou que a linha de montagem do crime — alvo de investigação da Polícia Civil — funciona como uma fábrica de verdade, onde os criminosos têm funções definidas e os carros copiados de outros legais são vendidos por preços abaixo do mercado. As clonagens são vendidas para compradores de estados do Nordeste ou trocadas por drogas em países como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Peru.

Placas e lacres

Ontem, foram encontradas 30 placas de carro e 15 de motos já prontas dentro de um Palio, além de outras em branco para serem adulteradas, lacres, documentos e até tarjas reflexivas. Outros carros e motos que passavam pelo local foram revistados pelos militares. Nenhum suspeito foi localizado no galpão onde funcionava a ‘fábrica’. Os veículos apreendidos foram levados para a perícia, que vai esclarecer se eles já tinham sido adulterados ou não.

Na semana passada, outros quatro carros foram apreendidos na comunidade Nova Holanda, onde os criminosos se dividem na falsificação das peças. Com a análise do material, a polícia vai tentar identificar os responsáveis pela linha de produção de veículos clonados.

Veículos roubados foram recuperados pelos policiais. Foi feita revista em carros e motos que passavamSeverino Silva / Agência O Dia

Consumidores podem ter sido lesados

Os carros clonados eram vendidos por preços muito abaixo do mercado e o esquema criminoso pode ter lesado consumidores. De acordo com o levantamento feito pela Polícia Civil, a prática de ‘esquentar’ veículos roubados tem total aval do chefão do tráfico na comunidade Parque União: Renilson da Costa Ferreira, o Bicuí. Ele recebe o ‘apoio logístico’ de Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, que assumiu a quadrilha da Nova Holanda e, segundo policiais, tem uma vasta experiência com roubos de veículos.

As investigações da polícia revelam ainda que abaixo de Motoboy dentro da Nova Holanda, há uma quadrilha para clonagem.

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