Sem delegacia, moradores do Catete temem violência

Fechada há mais de um ano, 9ª DP teve obras reiniciadas semana passada e só deve ser reaberta em dois meses

Por O Dia

Rio - Os moradores do Catete e bairros adjacentes não esperavam que ratos e pombos pudessem causar tantos problemas para a região. Interditada desde março do ano passado devido à infestação de pragas, a 9ª DP (Catete) segue sem atividade, agravando um problema que nada tem a ver com insalubridade.
Não há tapumes ou qualquer instrumento que indique uma reforma no prédio histórico, que foi tombado pela Prefeitura em 1992. Na fachada, a única intervenção à vista é um cartaz virado do avesso, onde se lê:

“Os moradores do bairro exigem a reabertura da Delegacia do Catete.” No entanto, segundo a Polícia Civil, as obras no prédio começaram na quinta-feira. Ainda segundo a Polícia Civil, a Prefeitura liberou um laudo que determinou como deve ser realizada a pintura das paredes, baseada no formato original. A obra tem prazo de dois meses para ficar pronta.

Do outro lado da rua, os espelhos numa vitrine refletem os novos temores dos moradores do bairro, como uma bicicleta verde — usada por um dos assaltantes que atuam ali, de acordo com vários relatos dos lojistas.

Prédio que abriga a delegacia do bairro é tombado pelo Patrimônio e precisou de obras para se livrar de pragas como ratos e baratasAlexandre Brum / Agência O Dia

Roubos dobraram

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o registro de roubos de celulares no primeiro trimestre deste ano dobrou em relação ao mesmo período de 2014: foram 60 casos na região, contra 30 no ano passado. O roubo a pedestres é outro índice que deixa moradores em alerta: comparados os mesmos períodos, houve aumento de 285 para 293 casos.

Os números representam os casos ocorridos nos bairros atendidos pela delegacia em reforma: Catete, Flamengo, Laranjeiras, Glória e Cosme Velho. Enquanto a unidade não reabre, os registros estão sendo feitos pela 10º DP (Botafogo).

No prédio%2CO DIA registrou vestígios da obra que começou quinta-feiraAlexandre Brum / Agência O Dia

Para o presidente do Conselho Comunitário da Glória, Marconi Andrade, a realidade pode ser pior do que as estatísticas. “Esses números não representam nada. Ninguém vai até Botafogo, para passar duas horas numa delegacia e registrar o roubo de um celular”, disse. “Virou terra de ninguém. Quando tem uma delegacia, o marginal não vai roubar ali porque pode ter viatura ou policiais circulando no entorno”, afirmou Marconi.

Os comerciantes e moradores também relatam que a sensação de insegurança aumentou. “Nunca vejo obra acontecendo e, enquanto isso, a criminalidade aumenta a cada dia. Não saio mais de casa com celular”, disse a professora Alexandra Fadul, 40 anos, síndica de um prédio vizinho à delegacia.

PM faz patrulhamento com três motos e duas viaturas

A Polícia Militar informou que o patrulhamento na região é feito com três motos e duas viaturas, em rondas diárias. Além disso, há uma cabine da polícia no Largo do Machado. O tenente-coronel Gilberto Tenreiro, comandante do 2º BPM (Botafogo), ressaltou que os índices de roubo de rua diminuíram em março.

Ainda de acordo com a assessoria da corporação, o batalhão da área tem feito ações rotineiras, em parceria com agentes da Secretaria Estadual de Assistência Social e Guarda Municipal, para encaminhar menores em situação de abandono ou em atitude suspeita aos abrigos da prefeitura e instituições responsáveis.

Desde o início do ano, roubos a pedestres e a estabelecimentos na região contribuíram com a sensação de insegurança entre os moradores. No início do mês, dois homens assaltaram um supermercado na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Em janeiro, bandidos invadiram uma farmácia no Largo do Machado e fizeram reféns no meio da tarde.

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