Exame de DNA em fronha de Vargas aumenta polêmica entre pesquisadores

Teste acusou sangue de mulher na peça. Depois do resultado, até versão da ex-vedete Virgínia Lane está sendo questionada

Por gabriela.mattos

Rio - A descoberta de sangue feminino na fronha que supostamente teria sido usada pelo presidente Getúlio Vargas no dia de seu suicídio, em 24 de agosto de 1954, e que iria a leilão, causou ainda mais polêmica. Conforme O DIA publicou ontem com exclusividade, exame de DNA feito a pedido da presidente do Museu da República, Magaly Cabral, que cuida do acervo de Vargas, acusou sangue de mulher na peça. Pesquisadores e historiadores têm opiniões divididas sobre a autenticidade da capa de travesseiro, que pode ser histórica ou uma fraude.

“No meu entender, trata-se de uma fraude. DNA não mente”, sentencia o historiador Milton Teixeira, sugerindo, inclusive, que a socialite Mariza Martinelli, que mora em Nova York e é a proprietária da misteriosa peça, seja investigada. “Precisam saber se ela foi conivente com essa farsa ou induzida.”

Até a versão da ex-vedete Virgínia Lane, que morreu em 2014, e dizia ter tido um romance com Getúlio, voltou à tona nas redes sociais. Em entrevista à ‘Rádio Globo’, dois anos antes, ela garantiu que estava com o presidente na cama, quando homens encapuzados o mataram. Contou ainda que foi jogada do segundo andar, quebrando um braço, uma perna e quatro costelas.

“Essa história virou até anedota. Nunca foi levada a sério”, comentou Magaly Cabral. A mesma opinião tem Lauro Barreto, advogado especialista em causas antigas. “Se algo assim tivesse ocorrido, a oposição a Getúlio jamais deixaria que o suicídio tivesse servido para transformá-lo em herói.”

A pesquisadora Cinara Jorge, que recentemente descobriu que os restos mortais de Marianna Claudina, a Condessa do Rio Novo, não estão sepultados em Três Rios, como se acreditava há 133 anos, defende novas pesquisas. Outros pesquisadores falam até em outro exame de DNA, com material coletado de algum parente de Virgínia Lane . “Um pequeno detalhe pode mudar, sim, a história”, pondera. O DIA não conseguiu contato com Mariza Martinelli.

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