Piloto foi surpreendido pelo forte nevoeiro e precisou fazer um pouso não previsto na quadra de esportes da Escola Estadual Rui Barbosa, no Alto da Serra - Loanda Pittzer
Piloto foi surpreendido pelo forte nevoeiro e precisou fazer um pouso não previsto na quadra de esportes da Escola Estadual Rui Barbosa, no Alto da SerraLoanda Pittzer
Por O Dia
Petrópolis - O piloto de um helicóptero modelo Robinson 66 precisou realizar um pouso não previsto na tarde deste sábado, em Petrópolis. A aeronave, decolada do Vale da Boa Esperança, em Itaipava, com destino ao Rio de Janeiro, estava tripulada por quatro pessoas, três homens e uma mulher. Ainda no início do trajeto, o piloto foi surpreendido pela forte neblina e se viu obrigado a abortar a viagem. Moradores do bairro fotografaram e filmaram o momento em que o helicóptero pousou na quadra de esportes do Colégio Estadual Rui Barbosa, no bairro Alto da Serra.
"Percebemos que o helicóptero ficou muito tempo voando em círculos no mesmo lugar. Parece que o piloto estava perdido. Depois percebemos que ele não deveria estar enxergando nada por causa do nevoeiro. O tempo em Petrópolis sempre foi assim, ainda mais aqui no Alto da Serra. Em questão de minutos ninguém enxerga mais nada", afirmou Ana Laura Damasceno, moradora de um conjunto habitacional localizado em frente ao local do pouso.
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A aeronave é o último modelo da fabricante norte-americana Robinson. O modelo R66 possui apenas uma turbina e, mesmo com toda a tecnologia empregada na fabricação detalhada visando maior segurança, não possui um painel destinado ao voo IFR, ou voo por instrumentos, o que obriga o piloto a realizar apenas o voo visual. Além disso, a máquina não possui homologação para a realização para voar por instrumentos.
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"Para que seja feito o voo por instrumentos, duas coisas primárias são exigidas. O helicóptero deve ser homologado, e o piloto, habilitado para o procedimento IFR. Muitas vidas já foram perdidas devido a pilotos que insistiram em realizar este tipo de voo sem o devido preparo. Uma vez dentro do nevoeiro e em poucos segundos os efeitos da desorientação espacial fazem com que o piloto perca totalmente suas referências e, em praticamente 100% das vezes, os acidentes ocorrem. Me parece que ele foi surpreendido pelo nevoeiro e, diante disso, tomou a atitude correta. A de não enfrentar a natureza e buscar um local seguro para o pouso", explicou Eduardo Silva, piloto comercial de helicóptero e instrutor de voo na cidade de Macaé há dez anos.
Apesar do susto, os ocupantes do helicóptero nada sofreram. Segundo informações, as primeiras pessoas que tiveram acesso ao local do pouso precisaram entrar em contato com a diretora da escola, uma vez que a instituição de ensino estava fechada devido à pandemia do novo coronavírus. A aeronave vai permanecer no pátio da escola e seguirá seu trajeto ainda hoje. Procurado pelo O Dia Online, o piloto preferiu não dar entrevista.