Um policial nos trilhos a cada 6 quilômetros

Ladrões atacam nos vagões da SuperVia quando os trens estão prestes a chegar ou sair da estação

Por O Dia

Rio - Atualmente, o Grupamento de Polícia Ferroviária (Gpfer) conta com 25 policiais para a atividade de patrulha nos trens, além de outros 20 agentes que trabalham pelo Programa Estadual de Segurança nos Serviços Públicos em Regime de Concessão. Eles são responsáveis pelo policiamento em 102 estações, distribuídas em 270 km da malha ferroviária.

“Fazer esse patrulhamento não é simples. Mas a gente atua de forma abrangente e houve redução de roubos neste ano”, disse o comandante do Gpfer. Neste primeiro trimestre do ano, foram 72 ocorrências, incluindo roubos de cabos, contra 107 em igual período de 2016 (queda de 32%). 

Na Central do Brasil%2C o major Cristiano Almeida%2C comandante do Grupamento Ferroviário da PM%2C diz que ocorrências nos trilhos e trens da SuperVia caíram 32% neste anoSandro Vox / Agência O Dia

Forma de roubos já conhecida

O ajudante de obras Domingos José Rodrigues Gomes se recupera em casa após ser baleado em uma tentativa de assalto dentro de um trem, na manhã de ontem. De acordo com o relato de uma testemunha, o criminoso fez o disparo quando a porta do trem já se fechava, no ramal Japeri.

“Ele roubou duas mulheres e pediu o celular. Quando ele foi entregar o telefone, a porta começou a fechar, e o bandido atirou”, contou um amigo que o acompanhava, na 57ªDP (Nilópolis). Domingos foi atingido de raspão na barriga e a bala se alojou em seu braço direito. Após ser socorrido no Hospital da Posse, foi liberado para seguir o tratamento em casa.

Douglas confere o celular e desliga no tremSandro Vox / Agência O Dia

A forma como o criminoso efetuou o roubo (aproveitando a chegada da composição em uma plataforma) já é conhecida pelo comandante do GpFer. “Os roubos em trens ocorrem quando o trem está saindo de uma estação ou chegando em outra. A vítima normalmente está mexendo no celular. O criminoso, então, pega rápido o telefone, sai do trem e a porta se fecha.

O aviso do roubo pela vítima só vai ocorrer na outra estação”, contou o major Cristiano Almeida, de 41 anos. Segundo o oficial, a violência no assalto de ontem a Domingos o surpreendeu. “Não tenho notícias de outros casos de violência durante roubos ou furtos. Não há notícias de casos assim”, disse.

As câmeras do trem da Supervia não filmaram a ação. A polícia, agora, procura imagens de quando o assaltante entrou no trem para tentar identificá-lo. Para evitar ser roubado, o serralheiro Douglas Santos, 25, já não usa o telefone dentro do trem. “Faço ligações e vejo redes sociais aqui na plataforma. Dentro do trem, evito ficar próximo às portas e não pego no telefone. Também não uso a mochila nas costas”, contou.

A dona de casa Margarida Ramos, 52, usava o trem pela terceira vez ontem. “Tenho que ir para Pedra de Guaratiba. Como os assaltos aumentaram nos ônibus, resolvi ir de trem. Mas tenho muito medo de assalto. Fico o tempo todo da viagem tensa, sentada, segurando a bolsa”, disse. Ela nunca foi assaltada ou presenciou um assalto em trem. “Posso garantir que o trem é um transporte seguro”, afirmou o major.

Tiroteios interrompem com frequência circulação de trens

Os quase 300 quilômetros da linha férrea atravessam inúmeras favelas que sofrem com troca de tiros frequentes, motivo de interrupção frequente dos trens. Apesar de não ter registro de passageiros feridos por balas perdidas, ano passado um trecho foi fechado devido à violência.

Em dezembro, a Supervia decidiu encerrar definitivamente a circulação de trens no trecho que liga Deodoro a Honório Gurgel. Um dos motivos seria que a circulação nesse itinerário era frequentemente paralisada devido à troca de tiros nas proximidades.

Para o segurança privado Gilmar Lucas, 55, a segurança na Supervia é falha em estações mais afastadas. “Você só vê policiais nas estações mais movimentadas e, conforme a noite avança, o número de policiais diminui. No final de semana, quando o trem é parador, o policiamento é quase inexistente”, opinou.

De acordo com o major Cristiano Freitas, comandante do Gpfer, o policiamento é feito em duplas, que revistam os passageiros. “Temos o efetivo baixo. Mas, somente no ano passado, foram 582 conduções à delegacia. A maioria de pessoas com porte de drogas, outras presas em flagrante por roubos”, disse.

Em algumas ações criminosas, os assaltantes atuam em duplas e conseguem roubar um número maior de pessoas. “Nesse caso chamam de arrastão. Mas não é como aqueles em praias, que são vários assaltantes. Isso não ocorre”, disse Almeida.

O oficial pretende fazer um curso para capacitar mais policiais que possam atuar no sistema ferroviário. Em nota, a Supervia afirmou que o policiamento dentro dos trens é de responsabilidade do Gpfer.

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