Corpo de Dona Ivone Lara é velado na quadra da escola de samba Império Serrano, em Madureira - Márcio Cassol / Ag. News
Corpo de Dona Ivone Lara é velado na quadra da escola de samba Império Serrano, em MadureiraMárcio Cassol / Ag. News
Por O Dia

Rio - Primeira mulher a se destacar na ala de compositores de uma escola e merecidamente chamada de Dama do Samba, Dona Ivone Lara morreu vítima de insuficiência cardiorrespiratória na noite de segunda-feira, aos 97 anos. Ela foi velada na quadra do Império Serrano, sua segunda casa, onde amigos, fãs e familiares se despediram cantando clássicos do seu repertório e também a música 'Nossa Escola', que tem o verso "Dona Ivone Lara, uma Joia Rara".

Dona Ivone estava internada desde a última sexta-feira, dia em que completou 97 anos, no CTI da Coordenação de Emergência Regional (CER), no Leblon, Zona Sul do Rio. O enterro da sambista aconteceu no Cemitério de Inhaúma, na tarde desta terça-feira.

"Nossos últimos dias foram bastante corridos por causa da internação. Agora, é hora de seguir a natureza. Ela descansou e teve uma morte tranquila. Vamos continuar o legado dela. Seus ensinamentos foram todos ligados ao samba e a ajudar as pessoas. Dona Ivone foi uma revolucionária, só que ela não usava armas, usava o samba", disse o neto André Lara.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, decretou luto oficial de três dias e divulgou nota de pesar. "Dona Ivone Lara cantou e tornou possíveis sonhos, engrandeceu lutas, transpôs preconceitos. Em seus versos cresceu o samba, fortaleceram-se as mulheres, apequenou-se o racismo. Eu, que morei na África durante anos, convivi com um povo que cresce nas adversidades, repleto de esperança e força de imaginação, assim como nossa Dama do Samba que hoje se foi", dizia o texto. O presidente da República, Michel Temer, manifestou-se via redes sociais: "Ela rompeu barreiras fortes até hoje, tanto na sua Império Serrano quanto na humanização do tratamento psiquiátrico, com a Dra. Nise da Silveira. Me conforta tê-la homenageado ainda em vida".

Dona Ivone trabalhou com a psiquiatra Nise da Silveira no período em que foi enfermeira e assistente social, profissões das quais se aposentou em 1977, quando passou a se dedicar só à música.

 

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