A seleção musical da Camareta contempla de Mozart à Anitta, passando por Villa-Lobos e Guerra-Peixe - Alexandre Brum / Agencia O Dia
A seleção musical da Camareta contempla de Mozart à Anitta, passando por Villa-Lobos e Guerra-PeixeAlexandre Brum / Agencia O Dia
Por NADEDJA CALADO

O morro e o asfalto em perfeita harmonia. No repertório, músicas populares e eruditas. É a sinfônica de cordas Camerata Laranjeiras, que une instrumentistas de diferentes classes sociais em apresentações nas ruas e em salas de teatro. "É um projeto de integração sem fronteiras, que reflete a diversidade do Rio", define Tiago Cosmo, que, em 2013, co-fundou o grupo junto com a alemã Karolin Broosch e a norueguesa Kaja Fjellberg em uma casa em Laranjeiras, bairro que dá nome à orquestra. Desde então, já são mais de 300 performances.

Segundo Tiago Cosmo, a Camerata uniu jovens de classe média que aprenderam a tocar fazendo aulas particulares, com os que entraram em contato com a música em projetos sociais em favelas. "O fato de virem de realidades diferentes poderia ter gerado desconfiança e afastamento. Mas, não, o encontro foi muito bonito. Eles aprendem uns com os outros, se colocam no lugar do outro", destaca. Além da música, a conexão também rende amizades. "Temos a jovem nascida em Berlim, que mora em um bairro nobre do Rio e que fica amiga da outra, moradora da Grota do Surucucu (comunidade de Niterói), e se encontram. Vão na casa uma da outra, tocam juntas", acrescenta.

Para o violinista Vitor Virtuoso, morador de Bangu, a orquestra é como uma família, onde todos são amigos, mesmo com realidades tão distintas. "Eu moro longe, mas nunca senti diferença entre nós. Tudo acaba dando certo. Não temos maestro, então é preciso ter uma comunicação boa e forte. O importante é o que temos em comum. Todos nós queríamos tocar vários tipos de música em um grupo sem preconceitos", comenta.

Além de moradores de várias partes do Rio de Janeiro, a orquestra acolhe também, ocasionalmente, músicos estrangeiros. É o caso da violinista Helena Botolfsen, do conjunto norueguês Oslo Strings, que hoje faz residência artística com a Camerata Laranjeiras. "São todos esforçados e talentosos, e me inspiram muito como música. Vários vêm de um cenário complicado, então é ainda mais importante trabalhar duro, porque a música se torna uma esperança e um sonho", avalia a estrangeira. Em maio, por sinal, será a vez dos brasileiros desembarcarem na Noruega, onde farão um tour com seis concertos.

A co-fundadora da Camerata, a norueguesa Karolin Broosch, conta que o repertório é variado e vai de Mozart à cantora Anitta, passando por Villa-Lobos e Guerra-Peixe, incluindo também artistas da Noruega. "Nós temos um som bem especial. Hoje em dia os jovens de qualquer lugar gostam das mesmas músicas, então sempre procuramos ver o que os nossos músicos gostam de tocar e misturamos isso com música erudita, isso facilita a integração. É essa energia que queremos mostrar em Oslo", explica.

Grupo se prepara para apresentações na Noruega
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A viagem da Camareta à Noruega é fruto de um convite do governo daquele país, que custeou as passagens dos músicos. Porém, para cobrir os demais gastos, o grupo lançou campanha de financiamento coletivo que termina neste domingo, dia 22. Se a meta for batida, além de custear a alimentação e a hospedagem dos dez instrumentistas convidados, a orquestra vai conseguir levar ainda outros dois jovens na viagem.
"Muitos deles nunca nem entraram em um avião e agora vão poder sair do Brasil. Vão jovens do Caju, da Vila Aliança, tem uma galera de Niterói. São de vários lugares. Estamos muito feliz de aproximar essas culturas", explica Tiago Cosmo. "Está todo mundo animado, tocamos música da Noruega desde o início do projeto, vamos dar nosso melhor e mostrar que o Brasil tem grandes talentos", completa Karolin Broosch.
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Na Noruega, o grupo vai se apresentar em escolas, presídios, igrejas e outros locais, além de conhecer alguns marcos culturais. Mais informações sobre a campanha estão disponíveis em benfeitoria.com/camaratalaranjeirasvaiparaoslo.
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