Familiares fizeram protestos exigindo a libertação dos presos - Fernanda Dias
Familiares fizeram protestos exigindo a libertação dos presosFernanda Dias
Por WILSON AQUINO

Sem provas para oferecimento de denúncia, o Ministério Público (MP) requereu à Justiça a revogação da prisão preventiva de 138 dos 159 presos na 'festa da milícia', 17 dias após a prisão. O órgão acusador afirmou, em nota, que vai denunciar os 21 suspeitos restantes, mas não esclareceu em qual tipo de crime serão enquadrados. Eles devem permanecer detidos.

A medida anula a pretensão da Polícia Civil que insistia na manutenção das prisões, apesar das manifestações da Defensoria Pública e de organizações de defesa de Direitos Humanos, que denunciaram a arbitrariedade. Ontem, a Defensoria pediu Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para liberdade de um dos presos: Vinicius Guedes de Almeida. No sábado, o artista circense Pablo Dias Bessa Martins, de 23 anos, já havia sido libertado por ordem judicial. Ele trabalha na Europa e estava com viagem marcada.

Os 159 foram presos no dia 7 de abril, em uma suposta festa da milícia 'Liga da Justiça', em Santa Cruz. Na ocasião, houve confronto e quatro homens morreram. Eles seriam seguranças do líder do grupo, Wellington da Silva Braga, o Ecko, que, mesmo com o gigantesco aparato policial, conseguiu fugir. No local, foram apreendidos 13 fuzis, 15 pistolas, quatro revólveres, carregadores, coletes à prova de bala, granadas e dez veículos roubados, além de uniformes privativos das forças de segurança pública, material notoriamente utilizado por grupos milicianos, segundo a policiais. O chefe da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa, que assumiu o cargo após a intervenção militar, chegou a comemorar a operação, afirmando que "era o maior golpe contra a milícia".

No entanto, parentes têm feito sucessivos protestos alegando que a maioria dos presos era trabalhadores e moradores da região, que pagaram para participar da festa. O MP admite que no evento havia integrantes do primeiro escalão da milícia que controla o crime organizado no bairro. Porém, após análise mais detalhada das provas, "entende que não há provas suficientes para a denúncia".

Reunião com subdefensor
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O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) se reúne, hoje, com o subdefensor público-geral do estado, Rodrigo Pacheco, para tratar da prisão das 159 pessoas sob acusações de envolvimento com milícia. O encontro será no gabinete do parlamentar. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, presidida por Freixo, já foi procurada por 30 familiares que negam o envolvimento dos parentes com o crime organizado. O objetivo é articular ações conjuntas entre a comissão e a Defensoria Pública para reverter as prisões arbitrárias.
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