'Estamos à deriva, inseguros', diz vítima que teve o carro roubado por bandidos que mataram casal

Na perseguição policial, três pessoas morreram após serem atingidas pelo veículo roubado pelos criminosos

Por RAFAEL NASCIMENTO

Bandidos em fuga atropelaram e mataram policial, a esposa dele e um outro homem no Jardim Primavera, em Caxias
Bandidos em fuga atropelaram e mataram policial, a esposa dele e um outro homem no Jardim Primavera, em Caxias -

Rio - "Estamos à deriva, inseguros", lamenta Carlos Henrique dos Santos, de 51 anos. O representante comercial teve o carro roubado nesta madrugada na Rio-Magé e horas depois três pessoas morreram após serem atingidas pelo veículo, que era usado por bandidos, durante uma fuga de policiais do 15º BPM (Caxias) no bairro Jardim Primavera, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense

Duas vítimas são o cabo da PM Thiago Abraão Lopes da Silva, 33 anos, e sua mulher, Deise Tarquínio da Silva, que estava grávida de dois meses. Eles chegaram a ser levados para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, mas não resistiram. O terceiro morto é Deividison Luiz Moreira do Nascimento, de 19 anos, que, segundo a polícia, era um dos bandidos. Ele morreu no local. O motorista de um Kia Cerato que estava estacionado e foi atingido pelos criminosos ficou ferido e também foi socorrido junto com a mulher para o Hospital de Saracuruna. Eles receberam atendimento e foram liberados.

Carlos Henrique Santos conta que os criminosos roubaram o Toyota Etios na Estrada Rio-Magé, por volta das 3h, quando ele seguia para o aeroporto, onde embarcaria para São Paulo às 6h. Segundo a vítima, um dos criminosos parou no meio da pista, completamente escura, e atirou. Ele parou, tentou pedir para ficar o celular, mas os ladrões não entregaram. Em seguida, um caminhão da Concer, que administra a BR-040, deu carona para o homem e acionou a polícia.

"Eu parei para não ser atingido. Eles entraram e levaram o carro. Pedi pra pegar pelo menos meu celular e eles não deixaram, só mandaram sair logo", diz o representante comercial. "A sensação que eu senti na hora foi de perda, de insegurança. A gente trabalha e tem que passar por isso. A sorte é que eu não estava com meu filhos. Eu só estava indo trabalhar e do nada tinham os quatro homens na minha frente com uma arma atirando pra cima e entrando no meu carro. E é aquela coisa, atiram por qualquer coisa." 

Carlos comenta que morou 30 anos no Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, mas há seis anos decidiu se mudar com a família para Guapimirim, na Região Metropolitana, por causa da violência. "Tenho quatro filhos e ninguém sabe do que aconteceu, só a minha esposa. Ela está bem agora, estava nervosa, mas eu já consegui acalmá-la enquanto estava na delegacia."

"Tem muita gente sendo morta e isso é triste. A gente que tem filhos, sai e não volta. Como que fica uma criança dessa para o resto da vida? O Rio de Janeiro está complicado", completa o representante comercial. 

Segundo a vítima, ele soube do que havia acontecido em Duque de Caxias quando estava cancelando os cartões de banco. "Estava cancelando os cartões de banco e resolvi ligar para o meu telefone para ver se alguém atendia. O policial atendeu e me contou o que tinha acontecido. Eu vim aqui pra tentar recuperar meus documentos de trabalho."

 

 

 

 

 

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