Em reunião, Polícia Civil discute operação que matou sete na Maré

'Já podemos dizer que será necessária a reconstituição, que acontece quando há dúvidas após a investigação', diz delegado

Por NADEDJA CALADO

Moradores cobram chefe da Polícia Civil por ações na Maré -

Rio - Após reunião com entidades da sociedade civil e organizações de direitos humanos, a Polícia Civil reiterou que vai fazer uma reprodução simulada do caso do adolescente Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, morto a tiro durante operação da Polícia Civil na Maré, na última quarta-feira. O chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa; o chefe da Divisão de Homicídios, Fábio Cardoso; e o delegado titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DH/Capital), Fábio Barucke, participaram do encontro a pedido da ONG Redes da Maré. De acordo com Cardoso, serão identificados os policiais que participaram da operação.

Também compareceram à reunião representantes da Anistia Internacional, associações de moradores, Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Secretaria Municipal de Educação, entre outros.

Ainda nesta manhã, Bruna Silva, mãe do adolescente, e uma testemunha estiveram na Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, para prestar depoimento. 

"Já podemos dizer que será necessária a reconstituição, que acontece quando há dúvidas após a investigação. O Marcos Vinicius teve que ser socorrido, foi deslocado várias vezes, então vai ser necessário reproduzir para termos uma dinâmica precisa do que houve", explicou o delegado Fábio Cardoso. 

"Vamos ouvir as testemunhas do local, a família, os socorristas e os policiais envolvidos", disse ele. Segundo a família da vítima, o menino conseguiu dizer, ainda vivo, que viu quem havia atirado nele e que teria sido o veículo blindado. "Vamos procurar demonstrar tecnicamente se essa versão é possível ou não", completou Fábio Cardoso.

Um dos pedidos feitos na reunião foi a aplicação de ações para reduzir danos em operações policiais. "Dentre elas, citamos o uso de ambulâncias, instalação de câmera e GPS nas viaturas que sejam acompanhadas em tempo real por superior hierárquico, e o armazenamento das informações para consulta posterior por órgãos competentes", lista o documento elaborado pela Redes da Maré. Outro ponto tratado na reunião foi o uso de helicópteros em operações policiais. "O uso do helicóptero é importante nas operações, é uma forma de minimizar confrontos. Isso aumenta a segurança dos policiais e também dos moradores", afirmou o delegado Fábio Barucke. O delegado citou o caso do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, morto em 2012 por disparos feitos de um helicóptero da Civil. "O helicóptero só está autorizado a disparar em legítima defesa, seja de si próprio ou de terceiros. Fora disso, o autor deve ser responsabilizado", afirmou.

A diretora da ONG Redes da Maré, Eliana Souza, falou ainda sobre as mortes dos seis suspeitos na operação.

"Durante a reunião a Polícia nos informou de que foi feita perícia na casa onde ocorreram as mortes", contou. Segundo o delegado Fábio Cardoso, no local foram encontrados fuzis e munição. Segundo ele, se após a investigação restarem dúvidas sobre as circunstâncias das mortes, também poderá ser feita reprodução simulada do episódio.

"É preciso que haja transparência nas operações. Não foi divulgado por que aquela casa era um alvo, quais eram os nomes dos suspeitos", lembrou Eliana Souza. O deputado Marcelo Freixo também fez um pedido por transparência. "É preciso esclarecer o que houve, as circunstâncias, se são ou não autos de resistência, isso é a lei. E o Estado não pode nunca deixar de cumprir a lei", declarou ele, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.

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