PM morre em operação no Morro dos Macacos

Por conta da ação, o túnel Noel Rosa foi interditado nos dois sentidos. Cinco bandidos foram presos e um fuzil AK-47, uma pistola calibre 40, uma granada e material entorpecente foram apreendidos

Por RAFAEL NASCIMENTO

Jason da Costa Pinheiro, 42 anos, era lotado na UPP Macacos
Jason da Costa Pinheiro, 42 anos, era lotado na UPP Macacos -

Rio - Um policial militar foi morto, na manhã desta quinta-feira, durante uma operação no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte da cidade. O sargento Jason da Costa Pinheiro, de 42 anos, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade, estava na mata quando ficou encurralado e acabou sendo atingido na cabeça pelos traficantes. Ele foi socorrido para o Hospital do Andaraí, mas segundo a unidade, o militar já deu entrada sem vida. Com isso chega a 68 o número de agentes de segurança assassinados no estado em 2018.

"Ele saiu de casa às 4 h para trabalhar. É mais um policial, foi um ontem e hoje outro", disse irmã do sargento, que preferiu não ser identificada. De acordo com o irmão de Jason, que também é militar, ele teve duas paradas cardíacas. O sargento é natural de Iguaba, na Região dos Lagos, ingressou na corporação em 2000 e deixa esposa e três filhas.

Em nota, a Polícia Militar lamentou a morte do sargento Pinheiro, que é o 59º militar morto este ano. Ele será enterrado nesta sexta-feira, às 15h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.  

Segundo informações do 6º BPM (Tijuca), policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos são responsáveis pela operação na comunidade e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi acionado para dar apoio à ação. 

Por conta da ação, o túnel Noel Rosa chegou a ser fechado nos dois sentidos, mas foi liberado às 15h55. Nas redes sociais, moradores relataram muitos tiros disparados na comunidade. "Se escuta muito alto da (Rua) Souza Franco com (Rua) Engenheiro Gama Lobo", contou um morador que está nos arredores da comunidade. "Muitos tiros na Rua Senador Nabuco. Próximo à Rua Petrocochino. Policiais estão na região", avisou outro. "Ouvi daqui da Rua Silva Teles. Estamos em guerra mesmo", afirmou outro, do Andaraí. "Eu escutei daqui também. Fica longe do local, mas deu para ouvir, mesmo que baixo. Próximo ao Extra Boulevard. Eram rajadas de tiro", alertou um quarto.

Ainda de acordo com a PM, cinco homens foram presos na Rua Conselheiro Otaviano, um dos acessos à comunidade. Também foram apreendidos um fuzil AK-47, uma pistola calibre 40, uma granada e material entorpecente ainda a ser contabilizado. A ocorrência foi conduzida para a 20ª DP (Vila Isabel).

Dia trágico para policiais

Dois policiais foram mortos e dois foram feridos por tiros em tentativas de assalto em menos de 24 horas no Rio. Por volta das 9h30 de quarta-feira, o policial civil Eduardo Freire Pinto Guedes Filho, conhecido como Paquetá, 47, morreu após ser baleado em frente à casa onde morava com a família, no Engenho de Dentro. Já o policial federal aposentado Luis Carlos Dias foi assassinado no Recreio dos Bandeirantes na terça-feira, por volta das 23h.

Paquetá foi baleado três vezes e chegou a ser levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu. Segundo imagens de câmeras de segurança, ele estava a paisana e voltava do mercado quando um homem anunciou o assalto. Ele teria pedido o cordão de ouro do agente. Os dois discutiram, o suspeito disparou e fugiu na moto com um comparsa que aguardava em frente.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DH-Capital) periciou o local do crime e fez diligências em busca de testemunhas e câmeras de segurança. Em nota, a Polícia Civil lamentou a morte do agente. Paquetá era lotado na Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE), e tinha esposa e um casal de filhos.

No caso ocorrido no Recreio, o policial federal foi abordado por bandidos quando caminhava pela Avenida Guignard e teria se negado a entregar seus pertences porque a identificação da PF estava junto do celular. Os criminosos, então, atiraram. Ele tentou fugir, mas morreu na Rua Gustavo Corção, a cerca de 200 metros do local do crime.

Outro agente da Polícia Civil foi baleado quarta-feira. Por volta das 8h, Marcus Fonseca, 45, foi atingido seis vezes ao reagir a uma tentativa de assalto em um arrastão na Rua Ferreira Pontes, no Andaraí. O agente foi atingido no glúteo, rosto, tornozelo, ombro, antebraço e punho, e passou por sete horas de cirurgia no Hospital Federal do Andaraí. Segundo a unidade, seu estado é grave. "Ele estava parado no sinal, vieram dois bandidos em dois carros e começaram a atirar", relatou o delegado Fábio Barucke, do Departamento Geral de Polícia (DGP).

No tiroteio, outro homem, que passava na garupa de um mototáxi, foi baleado. A esposa do policial ficou ferida por estilhaços. Eles também foram socorridos e estão estáveis. Mais de 10 tiros atingiram o veículo da vítima, seis deles no para-brisas. Ao menos um dos criminosos também foi baleado, mas conseguiu fugir. A polícia periciou um veículo abandonado pelos bandidos em busca de impressões digitais.

O segundo policial ferido ontem foi o PM Leonardo Freitas, de 37 anos. Ele foi baleado em tentativa de assalto, à tarde, quando chegava em casa na Rua Senador Nabuco, em Vila Isabel. Segundo informações do 6º BPM (Tijuca), o militar, de folga, foi atingido nas costas, e a bala saiu pelo abdômen. Ele foi socorrido pela esposa e levado para o Hospital Federal do Andaraí, onde passou por cirurgia. Segundo a unidade, o PM perdeu um rim e está estável.

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Jason da Costa Pinheiro, 42 anos, era lotado na UPP Macacos Reprodução da internet
Morro dos Macacos Rommel Pinto/Parceiro/Agência O Dia
Material apreendido no Morro dos Macacos, em Vila Isabel Divulgação
Material apreendido no Morro dos Macacos, em Vila Isabel Divulgação