Presidente da Câmara de vereadores de Japeri se entrega à polícia

Wesley George de Oliveira, conhecido como Miga, estava foragido desde a operação Senenes, da Polícia Civil e Ministério Público, que prendeu o prefeito de Japeri e outro vereador. Investigação aponta ligação dos políticos com traficantes

Por O Dia

Wesley George de Oliveira, o Miga
Wesley George de Oliveira, o Miga -

Rio - O presidente da Câmara Municipal de Japeri Wesley George de Oliveira, conhecido como Miga, se entregou, na manhã desta segunda-feira, na Delegacia de Homicídios (DH-Capital). Ele será transferido para a Cadeia de Benfica. Ele teve um mandado de prisão expedido e foi alvo de uma operação, batizada de Senenes, feita pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) para combater o crime organizado na Baixada, na última sexta-feira, e estava foragido. O prefeito da cidade, Carlos Moraes Costa, de 73 anos, e o vereador Claudio José da Silva, o Cacau, foram presos durante a ação. A investigação aponta a ligação dos políticos com traficantes.  

Todos os políticos são do PP. Os três e Aparecida Kaizer de Matos, assessora da prefeitura e que também foi presa, foram denunciados por associação para o tráfico de drogas e seriam ligados ao bando de Breno da Silva de Souza, o BR, chefe do tráfico no Guandu, em Japeri, preso na semana passada. A Justiça decretou a suspensão dos direitos políticos do prefeito e dos dois vereadores. Promotores e policiais fizeram buscas no gabinete do prefeito.

 

Em uma interceptação telefônica feita ano passado para investigar BR por três homicídios no Arco Metropolitano, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) flagrou o prefeito conversando com o chefe do tráfico no Guandu. Segundo a polícia, na conversa, Moraes mostra "seu comprometimento com a defesa dos interesses da organização criminosa e que, na qualidade de prefeito, não mediria esforços para evitar que a mesma sofresse qualquer prejuízo."

Outras escutas foram realizadas e descobriu-se a ligação dos políticos com o crime organizado na região. Foram apreendidos na casa do prefeito de Japeri, que mora em Nova Iguaçu, também na Baixada, uma pistola, munições, mais de R$ 34 mil e 850 dólares em bolsas com o brasão da prefeitura. O prefeito e outros políticos usariam também suas funções para praticar fraudes em licitações — para a construção de creches, na cidade — e desvios de dinheiro público em favor da organização criminosa, de acordo com a investigação.

Segundo o MP, o prefeito e os vereadores denunciados "colocaram o exercício de seus mandatos a serviço dos interesses da organização criminosa em troca de benefícios pessoais e a possibilidade da estruturação de um projeto político que os perpetuassem no poder." A ponte entre o gestor da cidade de Japeri e BR era feita por Jenifer Aparecida Kaiser de Matos, de acordo com as investigações. Ela foi nomeada assessora na prefeitura e também é alvo da operação desta sexta-feira.

A investigação apurou que, além de controlar a distribuição de drogas na região – praticando diversos outros crimes para afirmar o controle territorial, como homicídios, roubos, extorsões, os criminosos também mantinham sociedade com os operadores de um areal clandestino no interior do Complexo do Guandu. Nos diálogos interceptados, fala-se que o lucro mensal do tráfico com essa atividade chegaria a R$ 100 mil.

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