Marinete Silva, mãe de Marielle Franco  - Estefan Radovicz / Agência O D
Marinete Silva, mãe de Marielle Franco Estefan Radovicz / Agência O D
Por Agência Brasil

Rio - Às vésperas de completar cinco meses do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), a mãe dela, Marinete Silva, disse nesta quinta-feira que confia na Justiça. Seis dias depois de se reunir com o Papa Francisco, ela afirmou que acredita que as investigações mostrarão os responsáveis pela execução da vereadora e também do motorista Anderson Pedro Gomes.

“Eu estou acreditando muito nessa equipe [de investigadores] e nós vamos chegar em quem planejou porque não adianta falar hoje, depois de cinco meses, quem praticou [o crime], isso não vai nos consolar, mas sim quem planejou, quem está por trás de tudo isso”, afirmou Marinete Silva.

No último dia 2, Marinete Silva e um grupo de brasileiros se reuniram com o Papa Francisco, na Sala Santa Marta, na residência oficial do Pontífice. O encontro foi organizado por movimentos sociais para falar sobre violações de direitos humanos.

No encontro, Marinete Silva presenteou o Papa com uma camiseta com a fotografia de Marielle Franco. Francisco retribuiu entregando um terço para a mãe da vereadora e todos os presentes. “Ele [Papa Francisco] queria conhecer a história dessa mulher [Marielle Franco] que está movendo o mundo de uma forma legal e transparente.”

Investigações

Para a mãe da vereadora, a afirmação do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, sobre a dificuldade de esclarecer o assassinato ante o “envolvimento de políticos e agentes do Estado” é uma indicação de que as autoridades dispõem de informações concretas sobre suspeitos.

“Evidentemente, ele [Jungmann] deve ter alguma coisa de concreto em cima disso, mesmo sem citar diretamente. Nós vamos esperar. A investigação continua. Ele acha que, em pouco tempo, teremos uma resposta e é isso que eu espero também”, disse Marinete Silva.

Emocionada, ao lado de ativistas de direitos humanos, a mãe da vereadora disse que a morte da filha pode ser resumida em um único sentimento: dor. “Marielle foi calada de uma maneira brutal, que eu acho que foi a única forma de calar aquela negra que chegou ao poder no enfrentamento. Esses cinco meses são muito dolorosos, até por que nós não temos uma resposta direta. É dor, muita dor. É profundo, não dá para mensurar.”

Assassinato

Marielle Franco foi assassinada com quatro tiros na cabeça e seu motorista Anderson Gomes atingido por três balas. Eles estavam saindo de um evento político-cultural, no bairro de Estácio, no centro do Rio de Janeiro, quando foram mortos, em 14 de março deste ano.

Câmeras de segurança flagraram os carros e os suspeitos. Porém, as investigações ainda não foram concluídas. Ontem Jungmann reconheceu que “agentes do Estado” e “políticos” estão envolvidos no crime. Também admitiu dificuldades nas apurações. No sábado (11), completa 150 dias da morte da vereadora e do motorista.

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