Ex-presidente do Banco Prosper é preso em nova fase da Lava Jato no Rio

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Edson Figueiredo Menezes pagou propina através de dinheiro em espécie e também com vinhos de mais de mil dólares a garrafa em troca da contratação do Prosper no leilão do Banco do Estado do Rio (Berj)

Por O Dia

Rio - O ex-presidente do Banco Prosper Edson Figueiredo Menezes foi preso, na manhã desta quinta-feira, na operação "Golias", desdobramento da Lava Jato no Rio. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o empresário pagou propina através de dinheiro em espécie e também com vinhos de mais de mil dólares em troca da contratação do Prosper no processo para a realização do leilão do Banco do Estado do Rio (Berj), em 2010. Foi cumprido contra ele um mandado de prisão preventiva em sua residência, no Leblon, e também foram autorizadas buscas e apreensões em seis endereços ligados a Edson. Atualmente ele é presidente do Comitê Rio-2016, posto que assumiu após a prisão de Carlos Nuzman na operação Unfair Play.

Segundo o MPF, em 2006, o governo do estado do Rio contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para elaborar consultoria independente e fixar o preço mínimo da alienação das ações do Berj. Já a FGV Projetos foi contratada para realizar os estudos de precificação da folha de pagamento dos funcionários do Estado. No edital de leilão do banco estatal, lançado em 2010, havia previsão de pagamento de 3% sobre o valor total alcançado na venda para o pagamento da consultadoria independente. No final do processo, em 2011, foi identificado o pagamento de R$ 3,12 milhões pela FGV ao Banco Prosper a título de prestação de serviços. 

De acordo com os procuradores da República integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Rio, estes elementos confirmam o depoimento de um dos delatores do esquema criminoso de Cabral: que o então governador condiciou a realização dos estudos do leilão do Berj à contratação do Prosper, visando receber vantagem indevida. Em troca, segundo as investigações, Edson Menezes fez pagamentos ao grupo de Sérgio Cabral tanto em espécie quanto por meio da aquisição de vinhos de mais de mil dólares a garrafa no mercado internacional, paga por uma de suas offshores, a Remo Investments Ltd SA.

Também foram encontrados registros no sistema Bankdrop, revelado na Operação Câmbio, Desligo, de pelo menos cinco operações de dólar-cabo e lavagem de capitais da offshore Remo Investments junto aos irmãos Chebar, operadores financeiros de Sérgio Cabral.

As investigações também revelaram que Edson Menezes mantém relação de amizade próxima com Carlos Nuzman, denunciado na Operação Unfair Play. Ele já ocupou cargo no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), fazia parte do conselho do Comitê Rio-2016 e assumiu o posto de presidente desta entidade após a prisão de Nuzman. O executivo também integrou o Conselho da Riopar Participações, ao lado de Marcelo Traça, Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira, todos denunciados na Operação Ponto Final. Menezes já foi presidente da Bolsa de Valores do Rio.

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