De um total de 3.102 viaturas da PM, 1.350 estão baixadas com problemas prejudicando o patrulhamento -  Maíra Coelho / Agência O Dia
De um total de 3.102 viaturas da PM, 1.350 estão baixadas com problemas prejudicando o patrulhamento Maíra Coelho / Agência O Dia
Por Bruna Fantti

Rio - Apesar de a Polícia Militar do Rio ter recebido 580 novas viaturas, em abril deste ano, o número de veículos parados com defeito continua alto e o patrulhamento comprometido. É o que constatou a primeira vistoria do Ministério Público, durante o período de Intervenção Federal nos 39 batalhões da corporação. Os dados foram obtidos com exclusividade por O DIA. Os promotores verificaram que, de um total de 3.102 viaturas, 1.350, ou seja, 43,5%, estão baixadas. As vistorias do MP foram realizadas nos meses de maio, junho e julho deste ano.

No início do governo de Sérgio Cabral, em 2007, as oficinas da corporação começaram a ser desativadas. Em vez de consertos feitos pela própria tropa, o serviço foi terceirizado e, durante seis anos, passou a ser de responsabilidade da empresa CS Brasil. A empresa atuou até 2016, quando o contrato não foi mais renovado por conta da crise financeira. A gestão, então, voltou a ser da própria PM.

O contrato previa que a polícia poderia repor em até 48 horas uma viatura que precisasse de reparo e que caso um carro policial ficasse na oficina, ele seria reposto por um emprestado da empresa. Com o fim do contrato, o conserto da frota, na época de 2.600 veículos, começou a ser retirado do orçamento mensal de cada batalhão, que girava em torno de R$ 1 mil.

Barganha na manutenção

Comandantes passaram a barganhar a manutenção com oficinas locais. Transações penais também foram feitas autorização judicial para uma pessoa pagar uma multa em troca de um serviço público, como a doação de óleos e peças para a PM.

Indagado a respeito da situação dos veículos, o porta-voz da Intervenção, coronel Roberto Itamar, afirmou que "houve falta de planejamento ao longo dos anos para repor a frota".

A situação está sendo contornada aos poucos com a chegada de novas viaturas, modelo Ford Ka, que já estão nas ruas. Para além do patrulhamento, a aquisição faz parte da tentativa da intervenção de mudar a imagem da tropa."É importante a população olhar a polícia e ver que há um carro em boa manutenção", completou Itamar.

Enquanto a situação não se regulariza, o número de mortes violentas aumenta. "Menos PMs nas ruas faz com que a polícia atue menos no patrulhamento preventivo e isso aumenta o número de mortes de inocentes, criminosos e policiais", afirmou Ivan Blaz, porta-voz da PM, antes da chegada dos novos carros.

De acordo com dados do governo, o número de mortes provocadas por ações policiais no Rio aumentou 38% nos cinco primeiros meses deste ano. 

Déficit de carro reconhecido

Indagada pelo DIA a respeito da conclusão da vistoria do Ministério Público, a assessoria de Imprensa da Polícia Militar afirmou que “há déficit de viaturas em todas as unidades da Corporação e, por isso, o critério de distribuição tanto dos veículos novos como os recuperados visa atender da melhor maneira possível as demandas de cada uma das unidades”. 

Levantamento das viaturas quebradas - Infografia O DIA

Os batalhões mais críticos são os da Baixada Fluminense. De acordo com a corporação, a unidade de Belford Roxo recebeu um reforço de 300% na tropa. No entanto, não disse quantas viaturas foram destinadas ao batalhão. Durante a vistora do Ministério Público, feita em maio, quase todas as viaturas da unidade citada estavam em manutenção.

Ainda em nota, a corporação informou que das 580 viaturas novas, 530 foram destinadas ao serviço de radiopatrulha e 50 ao serviço reservado. E anunciou a aquisição de mais carros: “Outras 170 picapes devem entrar em operação neste mês para reforçar o atendimento à população”. A PM afirmou que, em relação às oficinas, credenciou no final do ano passado, 60 locais para consertar os carros e, que nos sete primeiros meses, foram recuperados 1.065.  Até o final do ano, mais de duas mil viaturas estarão recuperadas. Novas viaturas devem chegar em 2019. “Está ainda em processo de licitação a aquisição de novas viaturas pelo Gabinete de Intervenção Federal”, apontou. 

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