Justiça retoma votação sobre indenização à família do pedreiro Amarildo nesta terça-feira

Estado recorreu da decisão que o condenou a pagar R$ 500 mil à viúva de Amarildo e cada um dos seus seis filhos, além de R$ 100 mil para dois parentes próximos. Sessão foi interrompida no dia 14 de agosto após desembargador pedir vistas do processo

Por O Dia

Pedreiro Amarildo de Souza
Pedreiro Amarildo de Souza -

Rio - A Justiça do Rio retoma na tarde desta terça-feira a sessão que define a indenização que será dada à família do pedreiro Amarildo de Souza. A votação tem como base um recurso do Estado, que recorreu da decisão que definiu os valores indenizatórios. Detido por policiais e levado para a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha no dia 14 de julho de 2013, Amarildo desapareceu e seu corpo nunca foi encontrado.

O julgamento está marcado para começar às 13h, na 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio. A sessão anterior foi adiada após o desembargador Eduardo Gusmão pedir vistas do processo. Já os desembargadores Lindolfo Marinho e Marco Aurélio Bezerra de Melo votaram a favor da sentença de 2016, na qual a viúva de Amarildo, Elizabete Gomes da Silva, e os seis filhos do casal serão indenizados em R$ 500 mil, cada um. Os quatro irmãos do pedreiro deverão receber R$ 100 mil, cada.

Os dois desembargadores negaram, entretanto, indenização para a sobrinha e a mãe de criação de Amarildo, porque não havia provas suficientes. A defesa da família, na época, disse que iria recorrer. Até hoje, os familiares nunca foram indenizados. 

Relembre o caso

O pedreiro Amarildo de Souza, morador da Rocinha, desapareceu em julho de 2013, após ser conduzido para averiguação por PMS da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade da Zona Sul. Vinte e cinco policiais foram acusados de torturar e matar Amarildo, desaparecendo em seguida com seu corpo, que nunca foi encontrado.

Destes, 13 foram condenados pela 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2016, entre os quais o major Edson Santos e o tenente Luiz Felipe Medeiros, comandante e subcomandante da UPP Rocinha na época. As condenações foram por  tortura seguida de morte, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de testemunha.

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