Museu Nacional perde primeira amostra de petróleo encontrada no Brasil

Material estava no Departamento de Geologia e Paleontologia, que é o mais antigo do país dedicado à temática

Por RAFAEL NASCIMENTO

Bombeiros apagam pontos de fogo no Museu Nacional após incêndio
Bombeiros apagam pontos de fogo no Museu Nacional após incêndio -

Rio - O Museu Nacional perdeu a primeira amostra de petróleo encontrada no Brasil, por causa do incêndio do último domingo que destruiu 90% do acervo. De acordo com o professor João Wagner Alencar Castro, responsável pelo Laboratório de Sedimentologia da instituição, o material foi encontrado em Lobato, no Recôncavo baiano, na década de 30. "Era a joia da indústria do petróleo", diz o geólogo. 

A amostra tinha 5 litros e estava no Departamento de Geologia e Paleontologia, que é o mais antigo do Brasil, com mais de 170 anos de história. O laboratório, que tinha 10 pesquisadores, entre doutorandos, mestrandos e estudantes de iniciação científica, perdeu todo o seu material, em seu acervo um osso de baleia de 5 mil anos encontrada a 5 km da linha da costa atual.

"Quando o nível do mar encontrava acima do nível atual, o nível do mar se recuou e encontramos essa ossada a 1 metro de profundidade na terra. Isso é a prova que o nível do mar pode recuar ou ele pode chegar mais próximo do ser humano. Isso prova que o mar se encontrou mais alto do que atualmente", explica o professor. 

Professor João Wagner Alencar Castro - Agência O Dia

Segundo João Wagner, o laboratório perdeu amostras de dunas costeiras das ilhas oceânicas brasileiras, da Islândia, de vários países da África, entre eles a África do Sul, além da Austrália e da Ilha de Páscoa. "Isso é era uma reconstituição ambiental de como foi a terra no passado e de como ela pode ser no futuro", completa o geólogo. 

Risco de desabamento interrompe trabalhos no Museu Nacional

As 22 estátuas de deusas que estão no topo do Museu Nacional, destruído por um incêndio, correm o risco de cair a qualquer momento. Uma delas, que representam o espaço das musas, já caiu durante a madrugada e, com isso, os trabalhos de rescaldo feito pelo Corpo de Bombeiros, seguido da busca de funcionários do museu para achar itens que não foram perdidos, foi interrompido, já que estruturas da parte interna também podem ruir. Às 9h35, uma laje da parte interna do prédio desabou. A Polícia Federal (PF) isolou todo o perímetro e ninguém mais passa para a área do palácio.

Meteorito do Bendegó resistiu ao incêndio do Museu Nacionl - Armando Paiva / Agência O Dia

Forças Armadas reforçam segurança no entorno do museu

Militares das Forças Armadas reforçam a segurança no entorno do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na manhã desta terça-feira. O objetivo é evitar saques de peças preciosas que possam ainda estar perdidas nos escombros da instituição. A decisão é do Comando Militar do Leste, por solicitação da Secretaria de Segurança.

O número do efetivo não foi divulgado, mas são equipes de cinco a nove homens que, além dos armamentos convencionais, usam armas não letais e dispositivos para efetuar imobilizações e prisões. O Exército se junta a agentes da Guarda Municipal e à Polícia Militar, que estão no local desde ontem.

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Bombeiros apagam pontos de fogo no Museu Nacional após incêndio Agência Brasil
Meteorito do Bendegó resistiu ao incêndio do Museu Nacionl Armando Paiva / Agência O Dia
Professor João Wagner Alencar Castro Agência O Dia

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