Polícia Civil realiza operação contra esquema de emissão de diplomas falsos

Grupo chegou a movimentar R$ 700 milhões no últimos cinco anos. Supostos formandos chegaram a ter o nome publicado no Diário Oficial

Por RAFAEL NASCIMENTO

Diplomas falsos apreendidos pela Delegacia de Defraudações
Diplomas falsos apreendidos pela Delegacia de Defraudações -

Rio - A Delegacia de Defraudações (Ddef) realizou nesta segunda-feira uma operação de combate à emissão de diplomas escolares falsos, distribuídos para pessoas que não concluíram os estudos e usavam os documentos falsos para ingressar em universidades, realizar concursos públicos e tentar empregos em várias partes do país. Os supostos formandos chegaram a ter os nomes publicados no Diário Oficial do rio.

A ação, intitulada de Operação Nota Zero, contou com mais de 110 policiais civis. As buscas e apreensões em escolas e residências de donos, diretores e funcionários de colégios no Centro do Rio, nas Zonas Sul, Norte e Oeste do Rio, além de Duque de Caxias, Belford Roxo e Nilópolis, na Baixada Fluminense. Segundo os policiais, o grupo movimentou cerca de R$ 700 milhões nos últimos cinco anos com a emissão de 350 mil diplomas.

As investigações tiveram início no começo deste ano, após a Secretaria Estadual de Educação levar à Cidade da Polícia diversas denúncias sobre escolas que estariam emitindo mais diplomas do que poderiam ofertar. Acredita-se que o esquema funcionava há cerca de dez anos.

Entre os alvos estão um oficial reformado da Polícia Militar, que consta como sócio e diretor de uma das escolas investigadas e já tem oito anotações criminais, inclusive por associação criminosa e falsidade ideológica; um ex-conselheiro do Conselho Estadual de Educação que, além de dono de uma das escolas, participava das votações que autorizam ou não o funcionamento de unidades de ensino no Estado do Rio. Este, inclusive, ainda ocupava o cargo de conselheiro quando seu colégio, mesmo em meio a denúncias de fraude na emissão de documentos, teve o credenciamento renovado.

Também são alvos funcionários das escolas, que assinaram e atestaram serem legítimos os documentos fraudados. "Possa ser que tenhamos policiais, médicos, engenheiros, que nunca cursaram o Ensino Médio. É um prejuízo irreparável, muitas pessoas caíram no golpe", disse Patrícia Aguiar, delegada titula da Ddef.

Ao todo, 11 escolas particulares foram investigadas. As instituições participam de um grande esquema de fornecimento de históricos escolares e certificados fraudulentos de conclusão do Ensino Médio em cursos à distância, principalmente no sistema de educação de jovens e adultos.

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