'Pedi para ela não fazer o procedimento', diz companheiro de empresária morta após preenchimento dos glúteos

Fernanda Assis chegou a ser levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, após passar por procedimento, mas não resistiu

Por RAFAEL NASCIMENTO

Fernanda se submeteu a procedimento em casa com a falsa médica
Fernanda se submeteu a procedimento em casa com a falsa médica -

Rio - “Pedi para ela não fazer (o procedimento). Na semana passada, ela esperou eu sair de casa e fez pela segunda vez. Eu sempre fui contra”. O desabafo emocionado foi feito pelo comerciante Alex Fernando, companheiro da microempresária Fernanda Assis, de 29 anos, que morreu na tarde de sábado após fazer procedimento estético para preenchimento dos glúteos. A declaração dele foi dada diante de um grupo de pessoas, e um vídeo com esse e outros relatos foram publicados em redes sociais. 

Em um trecho da gravação, Alex conta que a responsável pelo procedimento ofereceu dinheiro a ele para que não contasse a ninguém sobre o procedimento:

"Ela me ligou chorando pedindo para não falar pra ninguém que foi ela quem fez. Disse que vai me ajudar de qualquer forma. Ela me ofereceu dinheiro, me ofereceu tudo. Já a Fernanda pagou com a vida dela", lamentou Alex.

Fernanda chegou a ser levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, após passar mal, mas não resistiu. Acompanhado de uma advogada e de familiares, Alex chegou às 10h45, para prestar depoimento na 31ª DP (Ricardo de Albuquerque), que abriu inquérito após O DIA revelar o caso.

“Alguém acha que ela tinha necessidade de mexer no corpo? Quando eu cheguei ao hospital com ela, o médico, só de olhar, mandou interná-la”, lembrou o comerciante. Segundo Fernando, os médicos que atenderam a mulher disseram que Fernanda poderia ficar internada até oito meses para se recuperar, caso resistisse.

 

Alex Fernando, namorado de Fernanda Assis, que morreu após procedimento estético - Estefan Radovicz / Agência O Dia

Os investigadores ainda não sabem onde o procedimento foi feito. Eles querem descobrir se ele foi realizado na clínica de bronzeamento de Fernanda, que fica em Anchieta, na Zona Norte, ou se a aplicação foi feita na clínica da acusada pela morte da microempresária, que não teve o nome revelado. A mulher irá responder por homicídio e exercício ilegal da profissão caso ela não tenha registro para a especialização.

Segundo parentes e amigos da vítima, ela fez um procedimento estético para preenchimento dos glúteos com uma mulher, no início da semana, e teria usado metacril. 

Na noite de quinta, Fernanda teria começado a passar mal e foi levada às pressas à unidade médica na manhã seguinte. Familiares contaram que a mulher era apaixonada pela vida e pelo corpo. Tanto que, neste ano, decidiu abrir uma clinica de estética em Anchieta.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Fernanda deu entrada no Albert Schweitzer às 8h50 de sexta-feira com edemas nos glúteos e rosto. Ainda segundo a direção da unidade, a microempresária reclamava de dificuldade respiratória. Na manhã de sábado, a vítima sofreu complicações e precisou ser entubada e, no início da tarde, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu pouco depois das 14h40.

O corpo de Fernanda será enterrado nesta segunda-feira à tarde ou manhã de terça-feira, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque — a família aguarda o fim dos trâmites burocráticos para marcar a data.

 

Galeria de Fotos

Fernanda se submeteu a procedimento em casa com a falsa médica Reprodução do Facebook
Alex, companheiro da vítima, foi contra o uso de aqualifit na mulher Estefan Radovicz / Agência O Dia

Últimas de Rio de Janeiro