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Crivella investiga obras de BRT

Prefeitura decide apurar qualidade do material usado para construir o Transcarioca

Por RAFAEL NASCIMENTO

Prefeito Marcelo Crivella questiona obras do BRT Transcarioca
Prefeito Marcelo Crivella questiona obras do BRT Transcarioca -

Rio - A Prefeitura do Rio decidiu abrir uma investigação para apurar a qualidade das obras do BRT Transcarioca feita na última gestão. De acordo com o prefeito Marcelo Crivella, o que foi proposto no projeto não foi concluído na via de 39 quilômetros.

A decisão da abertura do procedimento investigatório aconteceu após o ex-secretário de Obras do município Alexandre Pinto, em deleção premiada à Lava Jato, dizer que o material utilizado na obra foi de baixa qualidade.

Em dez vistorias feitas por Crivella e pelo secretário municipal de Habitação e Infraestrutura, Sebastião Bruno, foram encontradas irregularidades relacionadas ao superfaturamento e diversas falhas no cumprimento do projeto original, com ausência de material de concreto, ferro e malha de aço. Segundo a Prefeitura do Rio, o prejuízo é estimado em R$ 15 milhões somente em concreto.

"Houve um judicialização por parte do BRT. A partir do momento que eles alegam que estão perdendo muito ônibus e a delação do Alexandre, fomos verificar se foi combinada a obra e vemos que foi combinada. Em todos os trechos verificamos que foi uma obra combinada e de péssima qualidade", declarou o prefeito.

Entre os problemas encontrados, nas visitas que aconteceram entre os dias 5 e 13 de outubro, os técnicos da prefeitura acharam trincas no pavimento de concreto, desgastes no pavimento gerando rachaduras e expondo barras de ligação ou armaduras e concretos de baixa qualidade.

"Não quero dizer se foi corrupção. Pagamos R$ 2 bilhões em uma obra que está cheia de problemas. Não encontramos nada do que foi especificado no projeto", comentou Crivella. "Nunca imaginei que uma obra desta tenha sido feita desta maneira. A obra foi completamente fora do projeto. A gente vê que o que o secretário disse que foi uma obra combinada, foi. Não tiveram responsabilidade", completou.

Na estação Ibiapina, na Penha, uma das mais afetadas pelo material de baixa qualidade, de acordo com a prefeitura, foram encontradas diversas irregularidades como afundamento de pista e rachaduras na via. No local, a espessura do concreto foi de 15 cm, abaixo dos 30 cm estimados pelo projeto. Além de o concreto não ter tela soldada de ferragens.

Segundo Crivella, em boa parte dos 39 quilômetros do BRT Transcarioca o que se viu foi uma espessura de 24 centímetros de concreto. O ideal seria 30.

"Lamento com amargura o que aconteceu. Uma obra de R$ 2 bilhões sem a menor responsabilidade. Após ela ser inaugurada, fizeram um contrato de manutenção. Já se esperavam ter problemas. Gastaram milhões para consertar o que havia acabado de ser feito", disse o prefeito. 

Ainda de acordo com Crivella, a prefeitura vai passar a responsabilidade do que o BRT pede para quem fez as obras. "Eles alegam perda de passageiros. Vamos cobrar das empresas que fizeram e não executaram. Caberá eles a responsabilidade pelos danos. Há um processo administrativo. A Prefeitura é uma vítima. O prejuízo não ficou com a administração passada e sim com essa", afirmou. 

"Não é justo arcanos com o problema do passado. Vamos cobrar da administração passada. Se eu deixasse de informar, eu poderia sofrer por prevaricação. O que nos motivo aqui são fatos. Não planejei isso. Tentei até uma reunião para conciliar e logo depois veio os fatos da delação. O resto é ilação. Não quero dar isso uma conotação política. Pode macular o nosso processo", completou Crivella. 

De acordo com o prefeito, se as empresas não comparecerem, o município vai ajuizar uma ação. "Queremos que essas obras comecem imediatamente. Vamos nos reunir para encontrar a melhora maneira para o conserto. A mais efetiva e rápida para execução. Não faltaram recursos", finalizou. 

"Vamos abrir uma sindicância para apurar os funcionários que deveriam fiscalizar e não fiscalizaram. Há indícios que houve o conluio de fiscais. No entanto, se houve corrupção ou não, é a Justiça quem vai decidir", declarou o procurador geral do Município,Carlos Antonio de Sá.

Ainda segundo o procurador, será investigado também as obras da Transoeste e da Transolímpica. "A partir de hoje a secretaria de urbanismo tem sete dias para mandar um relatório para Andrade Gutierrez e para o consórcio Transcarioca. As empresas, por sua vez, têm 30 dias para apresentar uma resposta", explicou Sá. 

O Consórcio BRT Rio tem denunciado recorrentemente as péssimas condições da pavimentação das calhas dos seus corredores, principalmente Transoeste e Transcarioca, que causam problemas de operação e de ordem financeira. A deterioração é observada em articulados com idade média entre dois e cinco anos, quando os manuais apontam que carros com até 12 anos de fabricação podem continuar em operação nos sistemas de BRT mundo afora, mas não no Rio de Janeiro.

Por e-mail, a assessoria de imprensa da Andrade Gutierrez disse que não iria se pronunciar. O DIA entrou em contato com o consórcio Transcarioca , formado por OAS, a Carioca Engenharia e a Conter. No entanto, até a publicação dessa reportagem as empresas não haviam se manifestado.

 

 
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