Cremerj vai debater corte de clínicas

Conselho pediu reunião com secretária de Saúde para discutir redução de profissionais

Por Bruna Fantti

Dona Neide Calixto vai a consultas com o marido para tratar de doenças em clínica no Santa Marta
Dona Neide Calixto vai a consultas com o marido para tratar de doenças em clínica no Santa Marta -

Rio - O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Sylvio Provenzano, pediu uma reunião para a próxima semana com a secretária municipal de Saúde, Ana Beatriz Busch, para debater a desconstrução das Clínicas da Família. Como o DIA divulgou ontem, a Prefeitura do Rio pretende cortar 300 equipes de Saúde da Família, desempregando três mil profissionais, sendo 300 médicos.

Com a ação, a prefeitura quer economizar na atenção primária para pagar os hospitais. Baseada em índices do Instituto Pereira Passos, a ideia é desativar as clínicas em áreas que não sejam consideradas tão carentes, transformando as unidades em Postos de Saúde. O Cremerj se posicionou contrário à medida.

"Essa atitude é lamentável porque afeta os médicos, na medida que reduz estações de trabalho, e os pacientes, já que haverá um maior fluxo de pessoas para as emergências, que já se encontram sobrecarregadas", afirmou Provenzano, que discorda da justificativa de economia. "Deixar de tratar a saúde básica é criar um problema maior, pois se um paciente com hipertensão ou diabetes não receber cuidados vai desenvolver doenças mais complexas, o que do ponto de vista orçamentário é muito mais caro", completou o presidente do Cremerj.

Enquanto isso, pacientes estão desnorteados com a desconstrução das clínicas. A dona de casa Neide Calixto Bittencourt, 63, disse que não saberá como irá fazer as consultas. "Trato hipertensão e diabetes há dois anos aqui (Clínica da Família no Santa Marta) e esse corte no programa vai me prejudicar. Não sei como continuarei o tratamento, pois uma vez fui na unidade de Botafogo, e quem me atendeu foi uma técnica em enfermagem. Não era nem médica", contou Neide, que estava acompanhada do marido.

No Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, que também possui uma Clínica da Família, pacientes denunciaram que os clínicos gerais, cardiologistas e ginecologistas foram remanejados. "Todos eles foram embora daqui. E agora? Eu faço tratamento de pressão há mais de 30 anos aqui e nunca vi isso acontecendo", desabafou Maria do Carmo Batista, 68.

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