Pezão ficará preso no Batalhão Especial Prisional da PM, em Niterói

O então governador do estado do Rio ficará em uma sala de estado maior da unidade prisional, após sugestão do interventor federal na segurança do Rio, general Walter Braga Netto, já que ele tem foro privilegiado. Pezão foi surpreendido com mandado de prisão

Por RAFAEL NASCIMENTO

Manifestante comemora prisão do governador Pezão na porta da Polícia Federal no Rio
Manifestante comemora prisão do governador Pezão na porta da Polícia Federal no Rio -

Rio - O governador Luiz Fernando Pezão, preso na manhã desta quinta-feira, será levado para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Niterói. O chefe do executivo estadual prestou depoimento por cerca de quatro horas na superintendência da Polícia Federal (PF), na Praça Mauá, onde chegou por volta das 7h50. 

Antes de seguir para uma sala do estado maior, no presídio da Polícia Militar, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB), passará pela Cadeia Pública Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte, para dar entrada no sistema presidiário do estado. 

O então governador do estado do Rio ficará em uma sala de estado maior da unidade prisional, após sugestão do interventor federal na segurança do Rio, general Walter Braga Netto, já que Pezão tem foro privilegiado. Ainda de acordo com fontes da PF, Pezão não fará o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) do Centro. Por segurança, o exame já foi feito no próprio prédio Polícia Federal.

Os outros seis presos na operação "Buraco de Lobo" serão levados para a Cadeia de Benfica. A todo momento agentes da PF chegam em carros trazendo malotes com documentos recolhidos nas casas dos presos.

Os presos são Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador, que foi preso na casa de Pezão no Leblon, na Zona Sul do Rio; José Iran Peixoto Junior, atual secretário estadual de Obras; Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da Secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico; Cláudio Fernandes Vidal; sócio da J.R.O Pavimentação; Luiz Alberto Gomes Gonçalves; sócio da J.R.O Pavimentação; e César Augusto Craveiro De Amorim, sócio da High Control Luis.

 

Pezão operou esquema próprio e recebeu mais de R$ 25 milhões, diz MPF

O governador Luiz Fernando Pezão, preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal (PF) na operação "Boca de Lobo", desdobramento das ações da Lava Jato no Rio, recebeu mais de R$ 25 milhões em propina entre os anos de 2007 e 2014, período em que foi secretário de Obras e vice-governador de Sérgio Cabral. E mais: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou na petição em que pede a prisão do governador do Rio e mais oito pessoas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que ele substituiu Cabral no esquema criminoso e tinha operadores financeiros próprios.

"Ele é criminoso como qualquer outra pessoa”, disse um agente da PF ao DIA. "É inadmissível que um gestor público, do nível de um governador, participe desse tipo de maracutaias", completou. Em entrevista à imprensa, o delegado Ricardo Saadi, superintendente da PF no Rio, disse que o grupo movimentou pelo menos R$ 40 milhões até julho deste ano, quando começaram as investigações.

De acordo com a Polícia Federal, Luiz Fernando Amorim, sócio da High Control Luis e Luiz Alberto Gonçalves, sócio da JRO Pavimentação foram os únicos que ainda não foram presos e estão sendo procurados. Segundo fontes da PF, os advogados de Luiz Fernando informaram que ele irá se entregar nesta quinta-feira. O último a chegar na PF foi César Augusto Craveiro de Amorim, sócio da High Control, por volta de 12h50.

Um mandado de prisão também foi cumprido contra Affonso Henriques Monnerat, secretário de Governo de Luiz Fernando Pezão e que estava preso desde a operação Furna da Onça, ocorrida no dia 8 deste mês.

Pezão surpreendido com mandado de prisão

Segundo informações da Polícia Federal, na chegada dos policiais ao Palácio Laranjeiras, o governador pensava que travava-se apenas de uma busca e apreensão. Entretanto, após receber voz de prisão ficou surpreendido e não foi amistoso com os agentes.

Ele teve direito a tomar um banho e terminar o café da manhã, que já estava na mesa. Durante sua vinda para a Polícia Federal, Pezão se manteve em silêncio e não conversou com os agentes. 

 

 

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