'Momento histórico, mostra que a PF não vê cargos', diz delegado sobre prisão de Pezão

Superintendente da Polícia Federal no Rio, Ricardo Saadi comemorou a prisão do governador Pezão e disse que, mesmo com a crise financeira do estado, o esquema de corrupção continuou funcionando no estado

Por RAFAEL NASCIMENTO

Coletiva sobre a operação
Coletiva sobre a operação "Boca de Lobo", que prendeu o governador Luiz Fernando Pezão -

Rio - Em entrevista coletiva nesta manhã, Ricardo Saadi, superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio, comemorou a operação desta quinta-feira que prendeu o governador Luiz Fernando Pezão e mais seis pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitações.

"Esse é um momento histórico, mostra que a PF não vê cargos e posições", disse, falando sobre a prisão de Pezão, um mês antes dele perder o foro privilegiado. "A PF não se baseia em momento político, se falta um mês ou um ano, não importa. Nós fazemos uma ação quando ela tá madura", destacou.

Saadi disse que, após a saída de Sérgio Cabral do governo, ainda durante o mandato em 2014, Pezão manteve a chamada "taxa de oxigênio". O valor de 5%, cobrado no valor total de licitações de empresas que tinham contratos com o governo, chegou a subir para 8% na gestão do atual governador.

A Polícia Federal reforçou a importância das operações Calicute e Eficiência na elaboração de provas contra Pezão. "Mesmo na crise financeira do estado, em que aposentados ficaram sem receber e passando necessidades, entre 2015 e 2016, eles continuaram pressionando as empresas e recebendo propina", disse Saadi.

"Com a saída do ex-governador Cabral, ele (Pezão) passou a ser o líder da própria quadrilha e a operar com os seus próprios operadores financeiros. Na casa do Luiz Carlos Bezerra (operador de Cabral) identificamos bilhetes com 22 anotações no valor de R$ 22 milhões, que mostrava que o governador recebeu esse dinheiro. A partir da delação de Miranda e com provas (emails, movimentação financeira e telefônica) identificamos que havia elementos externos além do que os colaboradores disseram", disse o delegado da PF Alexandre Camões Bessa.

Preso, Pezão chega à sede da PF no Rio - Severino Silva / Agência O Dia

Bessa reforçou a afirmativa de Saadi, que Pezão cobrava a propina, mesmo com o estado em crise. "Pezão pressionava Bezerra a pagar. Só a Fetranspor (federação das empresas de ônibus), que continuou pagamento para o Pezão mesmo apos saída de Cabral,  pagou R$ 11,4 milhões ao governador. Todo o valor recebido vinha de empresas que tinham acesso ao estado, muitas ligadas a Pezão por parentesco, ou amigo", falou.

Procurador fala sobre 'demora' para prender Pezão

Em Brasília, o procurador regional da República, Leonardo Cardoso de Freitas, falou sobre a "demora" para prender Pezão. Em tom de ironia, ele respondeu: "Após a operação Calicute, vocês perguntaram: e o Pezão? Não esquecemos a pergunta de vocês e hoje estamos aqui para responder a essa pergunta", falou, reafirmando que o governador substituiu Cabral no esquema criminoso, o que já havia sido falado antes na coletiva pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Dogde reforçou as acusações que pesam contra o governador. "Há uma sucessão de pessoas partícipes ao longo do tempo, mesmo depois das prisões dos que lideravam. Houve uma nova liderança e é nessa perceptiva que aponta a figura de Pezão como novo líder e a inclusão de novos atores", disse a procuradora.

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Coletiva sobre a operação "Boca de Lobo", que prendeu o governador Luiz Fernando Pezão Rafael Nascimento / Agência O Dia
Preso, Pezão chega à sede da PF no Rio Severino Silva / Agência O Dia

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