Amigos, familiares e fãs se despedem de Marcelo Yuka no Cemitério de Campo Grande - Severino Silva/Agência O Dia
Amigos, familiares e fãs se despedem de Marcelo Yuka no Cemitério de Campo GrandeSeverino Silva/Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - Foi enterrado às 13h22 deste domingo, no Cemitério de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, o corpo do músico Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana, o Marcelo Yuka, de 53. Dezenas de pessoas — entre parentes, amigos e fãs — deram o último adeus ao letrista que morreu na noite de sexta-feira após sofrer um AVC, no início deste mês.

O corpo de Yuka, ex-integrante e compositor do Rappa foi velado na Sala Cecilia Meirelles, na Lapa, durante toda a noite e madrugada. Por volta de 12h, o caixão com o músico chegou ao Cemitério de Campo Grande.

Amigos colocaram a bandeira do Flamengo, time de coração, sobre o corpo de Yuka. Pétalas de rosas também foram lançadas sobre o caixão. Antes do sepultamento, a música “Minha Alma” de autoria do cantor foi cantada. Para o irmão Pedro Campos, entoar esta canção é a melhor maneira de dar adeus ao compositor. "Toda a sua vida foi de pluralidade. E sua música retratava isso", disse.

Amigos colocaram a bandeira do Flamengo, time de cora - Severino Silva/Ag

Enterro do m - Severino Silva/Agencia O Dia

O músico e compositor nasceu, cresceu e viveu grande parte de sua vida no bairro em que foi enterrado. Antes de ser sepultado, amigos fizeram uma oração.

O pai de Yuka, Djalma Santana, ressalta que o filho ajudou a modificar o comportamento de muita gente e 'abriu a favela para o mundo'. “Marcelo era uma filho maravilhoso, estudioso, fazia as músicas pensando em fazer algo durável e não descartável. Ele fazia uma coisa para o povo lembrar.  Como dizia Zuenir Ventura: não deveria haver uma cidade partida", diz.

Marcelo Yuka - Severino Silva/Agencia O Dia

Djalma revela que o filho se dedicou às artes plásticas após o acidente que o deixou paraplégico no ano 2000. "Uma parte do Marcelo era a preocupação com o social, com o país e com o jovem e a outra parte era musical. A partir de agora, vocês terão uma surpresa muito grande das artes plásticas que ele fez depois que foi baleado. Eu procuro estar inteiro. Eu sinto uma coisa: se existe céu, ele vai. Se existe eternidade, suas obras serão eternas. Ele deixou um legado de obras para esse país melhorar”, declara.

Familiares, amigos e fãs no sepultamento do músico Marcelo Yuka - Rafael Nascimento/ Agência O DIA
Amigo de infância de Yuka, Igor Vaz, músico percussionista lembra que começou a amizade com o ex-integrante do Rappa durante as aulas de percussão que seu pai havia dado para Marcelo. “Meu pai ensinou ele a tocar e gravou com ele o primeiro disco. Depois disso, nos tornamos grandes amigos”, lembra. “Não é só a perda de um grande amigo. Perde-se uma referência para a música nacional. Tive o prazer de conviver com ele desde pequeno e passamos por momentos especiais. Ele vai ficar em nossos corações pelas letras marcantes”, completa Vaz.

Júnior "Tartaruga", outro amigo e percussionista, diz que “esse é um dia triste para a música brasileira e para o bairro de Campo Grande”.

“Ele sempre foi uma pessoa diferenciada em todos os quesitos. Sua obra ficará eternizada e ficará em nossos corações. Yuka foi uma pessoa guerreira e nossa resistência. Salve, Yuka”, afirmou.

Rapper BNegão foi ao enterro do músico Marcelo Yuka, um dos fundadores do O Rappa - Rafael Nascimento/ Agência O DIA

“Obrigado pelo legado que você nos deixou. Tu cumpriu a sua missão, viveu e sofreu intensamente. Obrigado por existir. Você lapidou sua alma e seu espírito”, disse um amigo durante o sepultamento. “Um poeta nunca morre. Deixa um legado”, falou uma outra amiga.

Nenhum integrante da banda “O Rappa” compareceu ao velório e enterro de Yuka. O vocalista Marcelo Falcão não se pronunciou sobre a morte do antigo companheiro de palco.

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