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Polícia mantém preso motorista que atropelou e matou ciclista na Barra

Adriana Belém, titular da 16ª DP (Barra), autuou José Carlos Verdam por homicídio culposo, com agravante por sua condição profissional. 'Entendi que ele foi imprudente, não manteve distância e não prestou socorro à vítima'. Ele passará por audiência de custódia hoje

Por ADRIANO ARAÚJO

Ciclista morreu na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, na Barra, após ser atropelado por ônibus
Ciclista morreu na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, na Barra, após ser atropelado por ônibus -

Rio - Foi mantida a prisão em flagrante do motorista José Carlos Verdam, 56 anos, que atropelou e matou o empresário Artur Vinicius Sales, que pedalava com amigos na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca. A delegada Adriana Belém o autuou por homicídio culposo, com o agravante pelo crime ser cometido por um motorista no exercício de sua profissão, com a pena podendo chegar a seis anos. A soltura, caso ocorra, será somente na audiência de custódia, prevista para esta quarta-feira. 

"Entendi que ele foi imprudente, não manteve distância e não prestou socorro à vítima. As pessoas que se mobilizaram no local, ele não tinha outra coisa a fazer que não fosse ficar no local", acredita Belém.

A delegada disse que o motorista falou em depoimento que ajudou no socorro e que teve cautela, mas os testemunhos de ao menos 10 pessoas, entre agentes de trânsito e ciclistas que participavam do pelotão de treino, o contradizem. Verdam defendeu-se dizendo que os ciclistas teriam colidido entre si e atingido o ônibus. 

"Ele tinha que manter a distância mínima, a cautela te impõe que espere que o pelotão de ciclistas passe para o treinamento. Não dá para disputar espaço com uma bicicleta, ele precisa agora repensar sua conduta, é um profissional, foi uma vida perdida", defendeu a delegada.

Decisão contraria 'regra'

Grande parte dos casos de atropelamento seguido de morte, tipificados como homicídio culposo, o autor acaba pagando fiança e é liberado. A decisão da delegada Adriana Belém contraria a 'regra'. 

"Diante dos depoimentos e da perícia, entendemos por não soltá-lo em função do agravante, pois ele assumiu o risco. Ele também não prestou socorro, a presença dele no local foi compulsória, pelo número de ciclistas presentes e por não ter saída no local", falou.

A pena por homicídio culposo cometido por quem dirige é de dois a quatro anos de prisão, além da possibilidade de suspensão ou perda da habilitação. Com o agravante de ser um profissional, dirigindo um veículo de transporte de passageiros, a pena pode ser aumentada de um terço à metade, chegando até seis anos. 

Em nota, a empresa Turismo Três Amigos lamentou o acidente e disse que o motorista estava "dentro do limite de velocidade permitida para via naquele local, bem como na faixa permitida". "O motorista do permaneceu no local, acionando socorro e aguardando a chegada da autoridade policial para registro do acidente. A empresa se coloca à disposição das autoridades para esclarecer as circunstâncias do lamentável acidente", diz o texto.

O corpo de Artur Sales será enterrado às 12h no Cemitério Ordem Terceira da Penitência, no Caju. O velório começou às 8h. 

Morte de ciclista expõe fragilidades no trânsito

Um dos maiores desafios enfrentados pelos ciclistas na cidade é a segurança no trânsito. Em levantamento feito pelo DIA, nos últimos 12 meses, pelo menos dez ciclistas morreram em todo o Estado do Rio vítimas de acidentes.

O caso do empresário aconteceu por volta das 7h. Ele praticava o ciclismo esportivo com outros cinco amigos quando foi atropelado. O motorista do empresário, Alexandre Prado, disse que Artur foi fechado pelo coletivo, se desequilibrou, caiu e foi atingido pela parte traseira do veículo. "Se o ônibus tivesse parado, não teria nada disso", lamentou.

Apesar de o local do acidente possuir ciclovia, o grupo precisava utilizar a rua porque uma lei municipal limita a velocidade máxima para circulação na faixa exclusiva, em 20 km/h. Segundo amigos, o empresário costumava praticar a atividade física de forma amadora pelo menos três vezes por semana. Nesses trajetos, ele chegava a percorrer, em média, 80 km por dia.

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