Após morte de Charlinho do Lixão, Centro de Caxias fica 'deserto' e com reforço da PM

Um dia depois, entorno onde fica terminal rodoviário e grande parte do comércio tem pouco movimento, e quem arriscou abrir lojas e colocar barracas teme o que ainda pode acontecer. Batalhão de Caxias reforça policiamento com 'caveirões' e várias viaturas

Por Adriano Araújo e Antonio Puga

Comércio fechado perto da comunidade do Lixão, em Caxias
Comércio fechado perto da comunidade do Lixão, em Caxias -

Rio - Um dia após a morte de Charles Jakson Neres Batista, conhecido como Charlinho do Lixão, o Centro de Duque de Caxias, que "ferve" com o comércio local e por possuir vários pontos terminais de ônibus, está "deserto", refletindo um movimento bem abaixo do normal na manhã desta quarta-feira. Policiais do 15º BPM (Caxias) reforçam o policiamento com várias viaturas e dois "caveirões" nos acessos à comunidade do Lixão e Vila Ideal, onde as escolas da região tiveram as aulas suspensas hoje. 

Os comércios na Rua Piratini, onde ficam os terminais de ônibus com linhas que ligam Caxias à capital do estado e outras cidades, estão funcionando, mas o clima é de apreensão em quem trabalha no local. "Eu nunca sei o que vai acontecer aqui".

Os ônibus da empresa Reginas, por exemplo, estão fazendo o ponto final no bairro 25 de Agosto, para evitar o terminal, que fica próximo da comunidade. O baixo movimento seria um reflexo de passageiros descerem em pontos antes ou depois das proximidades das comunidades. Após a morte Charlinho, o comércio fechou e houve tentativa de queimar veículos na região, causando pânico em quem estava no local. Muitos corriam para fugir da confusão. 

Terminal de ônibus no Centro de Caxias com poucos passageiros, um dia após morte de Charlinho do Lixão - Estefan Radovicz / Agência O Dia

Já mais perto da Favela do Lixão e Vila Ideal, poucos comerciantes arriscaram abrir as portas e quem abriu está em meia porta, temendo o que pode ainda acontecer. Um deles, que também mora na região, diz que "sempre foi assim". "Aqui tudo pode mudar de uma hora para outra. O que posso fazer? Mudar? E vou para aonde?", falou, sem querer se identificar. 

Uma moradora da Penha, da Zona Norte do Rio, arriscou descer na Rua Piratini para fazer uma consulta médica marcada há algum tempo. Através de parentes e postagens nas redes sociais, ela ficou sabendo do "terror" que ficou a região, mas resolveu arriscar. "Eu vim, mas tenho medo. Nunca peguei a violência aqui, mas vi o que aconteceu", falou.

As aulas na rede municipal de Caxias já tinham sido suspensas na noite de ontem. Hoje, a prefeitura do município voltou a suspender as aulas no entorno da favela do Lixão e Vila Ideal. 

"A decisão foi tomada para garantir a segurança da comunidade escolar após os transtornos causados nesta terça após a morte de Charlinho do Lixão. (...) A situação na  cidade hoje é de normalidade, mas , por medida de segurança, as aulas nessas unidades foram suspensas. Os demais serviços públicos municipais funcionam normalmente", diz a nota da prefeitura.

Rio, 27/03/2019 - Entrada da favela do lixão, no centro de Caxias com carros de polícia, comércios fechados e rodoviária com pouca movimentação nesta manhã de quarta-feira (27). Foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia - Estefan Radovicz/Agência O Dia

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Comércio fechado perto da comunidade do Lixão, em Caxias Estefan Radovicz / Agencia O Dia
Rio, 27/03/2019 - Entrada da favela do lixão, no centro de Caxias com carros de polícia, comércios fechados e rodoviária com pouca movimentação nesta manhã de quarta-feira (27). Foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia Estefan Radovicz/Agência O Dia
'Caveirão' da PM no acesso à Favela do Lixão, em Caxias Estefan Radovicz / Agência O Dia
Terminal de ônibus no Centro de Caxias com poucos passageiros, um dia após morte de Charlinho do Lixão Estefan Radovicz / Agência O Dia

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