Comissões da Alerj cobram rigor nas investigações de morte envolvendo o Exército

A Comissão de Direitos Humanos e a de Segurança e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa vão oficiar os órgãos responsáveis pela apuração da morte de Evaldo Rosa. "Não nos causa espanto diante da liberação do abate que tem no Rio de Janeiro", disse deputada Renata Souza (Psol)

Por Maria Inez Magalhães e Rachel Siston*

Evaldo morreu na tarde deste domingo ao ter carro fuzilado por militares
Evaldo morreu na tarde deste domingo ao ter carro fuzilado por militares -

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Renata Souza, e o deputado federal Marcelo Freixo, ambos do Psol, entrarão com representação junto à Delegacia de Homicídios da capital, o Ministério Público Federal, tanto do estado quanto federal, solicitando investigação no caso do fuzilamento de Edivaldo Rosa dos Santos.

Ele foi morto morto neste domingo, após ter o carro metralhado pelo Exército, em Guadalupe, às 14h30. A vítima estava com a família no veículo, inclusive o filho de 7 anos, indo para uma festa.

A esposa de Evaldo, Luciana Nogueira, se desespera ao lembrar do ataque na porta do Instituto Médico Legal (IML), no Centro - Luciano Belford/Agência O Dia

"A gente está muito preocupado com essa ação do Exército de atirar. Essa é a única alternativa dada. Não nos causa espanto diante da liberação do abate que tem no Rio de Janeiro, tanto evocada pelo governador (Wilson Witzel), quanto pelo presidente da República (Jair Bolsonaro). As forças (de segurança) estão se sentindo legitimadas a fazer ações como essas, porque têm o respaldo tanto do governador quanto do presidente", disse a presidente da comissão, deputada Renata Souza (Psol).

A parlamentar lembrou ainda de outra morte envolvendo o Exército na última sexta-feria, apenas 48 horas antes de Edivaldo ser assassinado. Christian Felipe Santana foi morto com um tiro nas costas tentando fugir de uma blitz do Exército. Ele estava na garupa da moto com um amigo e se assustaram com os militares.

"A Comissão de Direitos Humanos já está agindo para que esses casos sejam verificados e as pessoas sejam de fato responsabilizadas pelo que aconteceu", explicou a deputada.

Carro em que Evaldo estava foi alvo de cerca de 80 tiros - Reprodução / Internet

A Comissão de Segurança e Assuntos de Polícia da Alerj também vai cobrar uma investigação rigorosa. "Vamos encaminhar ofício aos responsáveis pelas investigações para que seja realizada uma apuração rigorosa e imparcial sobre os fatos supostamente praticados em excesso pelos militares envolvidos na operação", disse o presidente da comissão, deputado Carlos Augusto Nogueira (PSD). Segundo o parlamentar, a comissão vai, ainda, acompanhar os trabalhos de investigação do caso. 

*Estagiária sob supervisão de Maria Inez Magalhães

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Evaldo morreu na tarde deste domingo ao ter carro fuzilado por militares Arquivo Pessoal
A esposa de Evaldo, Luciana Nogueira, se desespera ao lembrar do ataque na porta do Instituto Médico Legal (IML), no Centro Luciano Belford/Agência O Dia
Carro em que Evaldo estava foi alvo de cerca de 80 tiros Reprodução / Internet

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