OAB defende que autoridades revejam atuação das Forças Armadas

Presidente da Comissão de Segurança Pública afirmou não haver treinamento dos agentes militares para policiamento ostensivo na cidade

Por *Luana Dandara

Militares do Exército fazendo Blitz em pontos   criticos  com  objetivo de evitar o roubo de cargas , Trevo das Margaridas altura de Jardim America Severino Silva Agencia O Dia
Militares do Exército fazendo Blitz em pontos criticos com objetivo de evitar o roubo de cargas , Trevo das Margaridas altura de Jardim America Severino Silva Agencia O Dia -

Rio - "As Forças Armadas brasileiras não têm nenhuma condição de realizar atividade de policiamento ostensivo no Rio, não são treinadas para operar em territórios urbanos". Assim o presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-RJ, Rafael Borges, definiu uma ação de militares do Exército que terminou em assassinato em Guadalupe, na tarde deste domingo.

Para Borges, o episódio reflete a necessidade de reposicionar os agentes de segurança. "Eles não podem ser reprodutores de atividade sanguinolenta como essa. A gente precisa repensar esse modelo para tentar oferecer, de certa forma, uma resposta útil para esse caso, que não fique restringida a punição dos militares que se envolveram diretamente nele", afirmou o especialista.

O representante da OAB do Rio ponderou que a atuação dos militares não pode ser enquadrada em legítima defesa e não é procedimento padrão. "Oitenta tiros é absolutamente incompreensível. Não há tática de confronto que justifique. A legítima defesa tem que repelir uma agressão para evitar que aconteça, não de forma à produzir um assassinato em massa, que quase aconteceu".

Borges ainda destacou dois detalhes da tragédia: o bairro onde aconteceu, localizado no subúrbio da cidade, e o fato de Evaldo ser negro. "Existe um corte de raça muito claro na produção de letalidade policial. Além disso, estamos repetindo a velha lógica de que na periferia existe vácuo de direitos", pontuou. "Há uma cultura generalizada de neutralização e de permissividade no que diz respeito a matança, isso é muito grave", finalizou.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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