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Praça Seca: polícia investiga união '5.3 '

Milícia faz aliança com tráfico de drogas para dominar comunidades das zonas Norte e Oeste

Por Meia Hora

Flagrante feito ontem mostrou milicianos na Rua Cândido Benício
Flagrante feito ontem mostrou milicianos na Rua Cândido Benício -

Rio - Um áudio obtido pelo MEIA HORA revela bastidores de uma disputa entre criminosos que têm como objetivo dominar uma região que envolve bairros das zonas Norte e Oeste do Rio. Uma aliança formada entre milicianos e traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP) está por trás dos intensos confrontos na Praça Seca. Nomeada de "5.3" — cinco em referência aos paramilitares e três ao tráfico —, a fusão visa ocupar um território hoje dominado pelo Comando Vermelho (CV). Em nota, a Polícia Civil se limitou a dizer que investiga a disputa territorial na área.

Em uma das mensagens, supostamente atribuída ao traficante Lacosta, que domina a venda de drogas em Madureira, na Zona Norte, ele ameaça os rivais e faz críticas aos roubos na região como forma de ganhar a simpatia dos moradores: "Vai acabar essa palhaçada toda, bunda de caqui. Tá pensando que vocês vai (sic) ficar nesse vandalismo aí? E querer ficar roubando? Trabalhador compra um telefone caro pra c... e vocês vai (sic) e rouba o telefone do trabalhador?", questiona.

Em outra mensagem, o traficante manda recado aos comerciantes e fala como se fosse um 'empresário' do crime. "Peço até desculpas aos comerciantes de Madureira, que, infelizmente, com essa balaiada toda, a venda dá uma caída. Certo? A gente é empresário, sabe como é que é".

Em seguida, ameaça expulsar os rivais. "Nós vai (sic) acabar com essa porra e banir vocês daqui. Da Polícia? Estado? A gente sempre vai correr mesmo e se esconder igual rato. A gente corre até de Guarda Municipal... a gente não quer ganhar do Estado, não, filho. Mas com vocês nós vai (sic) pra dentro com força, porque vocês vai (sic) ser banido dessa porra aí".

Linha 306 não circula aos domingos

Segundo um relatório divulgado pelo aplicativo Fogo Cruzado, a Praça Seca foi o bairro do Rio que mais registrou tiroteios em março deste ano. Foram, ao todo, 46 ocorrências, o que corresponde a 10% dos registros do Grande Rio. Moradores relatam que o cenário inseguro nos últimos meses alterou o funcionamento até da linha 306 (Praça Seca x Castelo), que não circula mais aos domingos e nas noites de sábado, além de ter modificado o itinerário perto do ponto final em Jacarepaguá. Em nota, o consórcio Transcarioca informou que vai apurar as possíveis mudanças e disse que a operação nos últimos dias vem sendo prejudicada devido à insegurança na região.

Witzel: 'Projeto das UPPs'

Há pelo menos dois meses, milicianos cobram uma taxa de moradores de comunidades e, também, do asfalto em bairros como Praça Seca, Campinho e Vila Valqueire, na Zona Oeste. Os boletos têm preço fixo de R$ 70 e a cobrança é feita em duas etapas: primeiro, o grupo paramilitar passa com a nota de pagamento e, depois, retorna para cobrar. Ontem, o governador Wilson Witzel (PSC) afirmou que a polícia vai ocupar a Praça Seca para acabar com essa disputa por territórios: "Esses terroristas dominam aquela região e dificultam o trabalho da polícia. Estamos agindo para fazer um cerco e realizar prisões, com intuito de iniciar uma ocupação. Nós não abandonamos o projeto das UPPs. Vamos atuar com mais força".

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Flagrante feito ontem mostrou milicianos na Rua Cândido Benício reprodução
Morro da Barão, na Praça Seca Reprodução / Internet

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