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Justiça contabiliza cinco ataques de militares a civis desde 2017

Denúncias relativas a operações incluem as duas dos últimos sete dias

Por ADRIANA CRUZ

O músico Evaldo Rosa foi morto atingido por nove tiros
O músico Evaldo Rosa foi morto atingido por nove tiros -

Rio - Se no período de 48 horas houve o fuzilamento com 80 tiros do carro do músico Evaldo Rosa e a morte de Christian Felipe Santana, de 19 anos, ambas ações praticadas por integrantes do Exército, levantamento da Justiça Militar da União aponta que, desde outubro de 2017, aconteceram outras três denúncias envolvendo militares em operações contra civis no país, sendo uma delas no Rio.

Nos últimos 32 anos, foram 12 mortes de civis atribuídas a integrantes das Forças Armadas em todo o país. Os réus foram condenados. Atualmente, há no Rio três processos em tramitação sobre homicídios e tentativa de homicídios envolvendo militares. Na quarta-feira, a juíza Mariana Aquino de Campos, da 1ª Auditoria da Justiça Militar, decretou a prisão preventiva de nove militares acusados de executar Evaldo três dias antes.

Nesta quinta-feira, foi pedida a liberdade do grupo, por meio de um habeas corpus que caiu nas mãos do ministro Lúcio Mário de Barros Góes, do Superior Tribunal Militar. Mas o advogado dos militares, Paulo Henrique Pinto de Melo, informou que ainda não tomou providências sobre o caso. "Estou estudando", alegou.

'Foi um erro'

O governador Wilson Witzel, que defende publicamente a ação de atiradores de elite no estado, se pronunciou a respeito do caso do músico somente nesta quinta. "Manifesto os meu sentimentos (aos familiares das vítimas) pelo erro grosseiro que foi praticado pelos militares. Eu não me manifestei até agora porque estava aguardando (as investigações). Não sou um cidadão comum, sou um governador de estado. Não posso sair acusando o Exército de praticar um ato abominável. Só aguardei que a Justiça Militar se manifestasse para que eu pudesse, como governador, me pronunciar", justificou Witzel, durante cerimônia de entrega de 30 veículos da Assembleia Legislativa à Secretaria de Polícia Civil, na Cidade da Polícia.

Para o criminalista Luiz Flávio Gomes, o discurso de autoridades que incentivam a ‘guerra’ aumenta a violência. "É um estímulo para abusos. O policial se sente protegido fora do império da lei. O resultado, estamos vendo aí. Situações que não merecem um tiro acabando em tragédias", pontuou ele.

Gomes criticou ainda Witzel pela demora em se pronunciar. "Como pode o governador não falar sobre algo nitidamente ilegal? Não reconhecer o fato grave? Não teve coragem. O Exército acabou se pronunciando primeiro. Ainda bem que a Justiça deu a resposta e prendeu os nove suspeitos", analisou Gomes.

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