Dona de salão abre garagem para ajudar vítimas do desabamento

Mulher abriu garagem do estabelecimento para servir, caridosamente, lanches e bebidas às famílias aflitas ao longo do dia

Por GUSTAVO RIBEIRO

Dona de salão abre garagem para ajudar vítimas do desabamento
Dona de salão abre garagem para ajudar vítimas do desabamento -

Rio - Enquanto faltam lágrimas dos parentes que esperam notícias de moradores desaparecidos na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio, a solidariedade ajuda a manter viva a esperança. Dona de um salão de beleza bem perto de onde os dois prédios desabaram pela manhã, a cabeleireira Eliane Maria da Silva abriu a garagem do estabelecimento, onde também mora, para servir, caridosamente, lanches e bebidas às famílias aflitas ao longo do dia.

A missão começou cedo, logo depois de ter ouvindo um forte estrondo, e deve continuar durante toda a noite. "Quando acordamos, vimos as pessoas desesperadas. A gente acolheu todas dando água, café e lugar para elas se aconchegarem, e também para darem nomes de parentes desaparecidos para os agentes da prefeitura", contou.

Vizinhos solidários com a tragédia doaram pães e sanduíches naturais para serem distribuídos no salão, que serviu como ponto de apoio e conforto para as famílias. Eliane também disponibilizou o banheiro para quem queira usar. Ela lembra o desespero que sentiu quando a tragédia aconteceu.

"Eu estava acabando de acordar quando escutei um barulho muito forte. E aí a gente correu, eu, meu marido e meus filhos de 4 e um de 15 anos. Todo mundo correu pra ver o que era e era um prédio que tinha desabado, e daí já foi um desespero", relata, emocionada.

"Da minha casa só deu pra ver muita fumaça e poeira. Não deu pra ver exatamente o que estava acontecendo. A gente percebeu que era um prédio, só que na verdade eram dois prédios. E aí os próprios moradores já foram salvando algumas pessoas. Tiraram três, um com vida e dois não estavam mais com vida", acrescentou.

Eliane descreve esta sexta-feira como um pesadelo, ao ver amigos em prantos e ao receber notícias de que outros não resistiram. "Foi um dia assim que parece um pesadelo que não acaba, porque desde as 6h40 a gente está com o coração muito aflito, muito apertado. Cada pessoa que tem a notícia de que achou o corpo, a gente também começa a sentir aquela dor e não tem muito o que fazer mais. A gente só pode acolher e ajudar as pessoas da maneira que a gente pode", lamenta.

Segundo ela, o desabamento foi uma surpresa, porque os edifícios não apresentavam sinais de rompimento. No dia anterior, no entanto, houve relato de estalos.

"Foi uma surpresa. Até ontem uma pessoa escutou que estava estalando, mas, devido à chuva forte da segunda-feira à noite, eu acho que abalou o prédio e caiu de uma vez."

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