Irmão de desaparecida mantém esperança após quase dez horas de buscas

Flávio Luiz lamentou a tragédia e aguarda notícias sobre irmã e sobrinho desaparecidos

Por GUSTAVO RIBEIRO

Familiares aguardam cerca de 10 horas por notícias
Familiares aguardam cerca de 10 horas por notícias -

Rio - No celular, o zelador Flávio Luiz Pereira, 45, olha para a foto da irmã Ana Flávia Pereira, 34, e do sobrinho Fábio Augusto Pereira, de apenas 3 anos, com angústia profunda. Mãe e filho, que estão entre os desaparecidos da comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio, possivelmente estavam prestes a sair de casa quando os prédios vieram abaixo. Ela costumava levar o menino para a creche às 7h, e a tragédia aconteceu cerca de 20 minutos antes.

Os dois estavam sozinhos no terceiro andar de um dos edifícios. O marido de Ana Flávia e pai de Fábio estava viajando a trabalho em São Paulo quando recebeu a notícia. O técnico de enfermagem voltou às pressas e acompanha as buscas junto aos bombeiros desde as 15h.

O irmão de Flávia, que aguarda informações no local desde as 10h30, contou que o casal morava em Duque de Caxias e vendeu dois imóveis para comprar um apartamento na Muzema, há dois anos, devido à proximidade para o trabalho do marido dela.

"Vou ficar aqui até eu ter notícia, com vida ou sem vida. Estou rezando para que saiam com vida. O esposo dela estava viajando e retornou quando soube. Ele está lá em cima desde as 15h mais ou menos. Está aqui desesperado", disse o Flávio Luiz, que mora em Bonsucesso.

Segundo o zelador, a irmã nunca relatou problemas estruturais no edifício, assim como afirmaram outros parentes de vítimas e vizinhos. "Tem mais ou menos seis meses que eu vim aqui. Sobre isso ela nunca relatou", ressaltou o irmão.

Ele acredita que a chuva que abateu a cidade na noite de segunda-feira deve ter sido a gota d'água para o desabamento. "Provavelmente a chuva potencializou. Num lugar que caía muita água, deve ter encharcado muito o solo e aconteceu isso."

O parente criticou a omissão das autoridades em fiscalização. "Isso aí sempre tem (abandono do poder público), só que a gente que mora em comunidade não pode estar falando muito. O que a gente mais vê no nosso país é a corrupção em primeiro lugar", desabafou.

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