Mulher morre espancada em Nova Iguaçu

Laudo da morte é contestado por membros da diocese do município

Por Dejair Neto*

Padre Renato Chiere cobra investigação sobre morte de mulher
Padre Renato Chiere cobra investigação sobre morte de mulher -

Rio - Uma mulher foi espancada até a morte na Praça Santos Dumont, em Nova Iguaçu. O crime ocorreu na noite de sexta para sábado, quando três homens chegaram de carro e agrediram os moradores de rua que estavam no local. Eles bateram com a cabeça de Vânia Soares da Silva, de 31 anos, contra um muro, a mataram e fugiram. A Diocese de Nova Iguaçu contesta o laudo da morte e faz denúncia.

A vítima era ex-moradora de rua. Numa época difícil de sua vida, ela costumava frequentar a Casa da Solidariedade, que pertence à Diocese de Nova Iguaçu, e faz um trabalho de acolhimento a pessoas em situação de rua durante as noites. Lá, Vânia fez amigos. Entre eles, uma funcionária da Casa, a auxiliar de enfermagem Elda Maria da Silva Cruz, de 55 anos, que contou ao DIA ter tido contato com Vânia alguns dias antes de sua morte. De acordo ela, a amiga costumava voltar à praça sempre que estava triste, porque na época em que morava nas ruas tinha feito muitas amizades.

"Ela era uma pessoa alegre, muito feliz, acreditava muito em Deus. A palavra-chave dela era: 'Deus está no controle de tudo'. Ela era apaixonada pela filha, fazia tudo pela menina, foi a filha que tirou ela da rua. A Casa da Solidariedade sempre ajudou a Vânia para que ela pudesse se manter e não retornar às ruas. Ela gostava de viver e me deixava alegre também", contou Elda.

Elda esteve no enterro da amiga, no sábado, e disse que foi um momento muito triste. A família e amigos de Vânia estavam desolados diante da violência. A vítima tinha três filhos, dois meninos, um de 10 e outro de 12 anos, e uma menina de 5 anos, por quem tinha adoração. Elba também contou que a amiga fazia tudo pela filha e buscava melhores condições de vida.

A Praça Santos Dumont é conhecida por abrigar muitos moradores de rua. No local, existe uma espécie de estrutura abandonada que é utilizada por eles para passar as noites. Dom Luciano Bergamin e Padre Renato Chiera ressaltam a necessidade de um lugar para que essas pessoas possam passar as noites de forma digna. A Arquidiocese de Nova Iguaçu também contesta o laudo da morte de Vânia, emitido pelo Instituto Médico Legal, que consta como causa edema pulmonar, isquemia do miocárdio e evolução de estado mórbido. O bispo e o padre questionam o documento e acusam de "maquiagem", uma vez que Vânia foi espancada até a morte e teve sua cabeça batida contra um muro. Tanto os membros da Igreja Católica quanto Elda pedem providências quanto ao descaso dos moradores de rua na região. No caso de Vânia, o desejo é que tudo seja esclarecido de forma digna.

"O fato da nossa denúncia não é agredir ninguém, é que somos portadores de uma mensagem humana e cristã, que nos ajuda a entender que cada ser humano tem dignidade e é filho de Deus. Quando se atinge o ser humano, se atinge o próprio Jesus, que é Deus que se fez homem. O ser humano deve ser amado, respeitado e acolhido em qualquer situação. Nós não podemos aceitar nunca que matem pessoas. Nós defendemos a fraternidade e não a violência. A Igreja Católica pede por políticas públicas para respostas a problemas de quem mais sofre. Não nos interessa o partido, o nosso partido é a vida e convocamos a todos para nos unirmos para defender a vida. Não aceitamos que ninguém seja ameaçado ou morto", afirmou Padre Renato.

Procurada, a Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o caso.

*Estagiário supervisionado por Bernardo Costa

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