Vencedora do 'BBB 19', Paula deixa delegacia com rosto coberto

Delegado de especializada vai entregar relatório ao MP na sexta-feira

Por Felipe Rebouças*

Escoltada por um segurança e encapuzada, Paula saiu da delegacia no banco de trás de um carro
Escoltada por um segurança e encapuzada, Paula saiu da delegacia no banco de trás de um carro -

Rio – Com o rosto coberto e sem dar entrevista. Assim a vencedora do 'BBB 19', Paula Von Sperling, deixou Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Centro do Rio, após prestar depoimento que durou mais de duas horas. A mineira de 33 anos, natural de Lagoa Santa, é investigada pela especializada pelo crime de injúria por preconceito baseada em intolerância religiosa. Durante o programa, Paula disse ter medo de Rodrigo – participante frequentador do Candomblé que depôs contra Paula após deixar o reality show. "Tenho medo do Rodrigo. Ele mexe com esses trecos… ele sabe cada Oxum (divindade de matriz africana) deles lá. Nosso Deus é maior", afirmou Paula. Além disso, a bacharel em direto se referiu a cabelo crespo como "ruim" e afirmou que cotas raciais são "uma forma de racismo".

Para o delegado Gilbert Stivanello, responsável pelo caso, as circunstâncias do programa contribuem para falas semelhantes às ditas pela vencedora do programa. "Pela natureza do reality, em que as pessoas ficam em imersão, com supressão de horas de sono, cansadas, em algum momento as pessoas afrouxam as barreiras morais e acabam falando o que não deviam. Isso é um facilitador pela própria natureza do programa", afirmou Stivanello.

O conteúdo do depoimento foi mantido em sigilo a pedido da advogada e irmã de Paula, Mônica Von Sperling. "Esse procedimento é normal em qualquer causa que tenha repercussão. Nós colocamos o sigilo porque se eu abrir um delito desse, com grande repercussão, acabo recebendo uma enxurrada de novos delitos", explicou o delegado da especializada. 

Stivanello afirmou que vai entregar o relatório conclusivo ao Ministério Público do Rio até a próxima sexta-feira. Em seguida, os promotores escolherão se arquivam o caso ou aplicam uma denuncia formal à Paula.

O delegado lembra que o caso serve de exemplo para as próximas edições do reality, o primeiro desde a fundação da especializada, em dezembro do ano passado. "O público viu que o programa não é um espaço livre em que as pessoas podem ofender ao próximo. As pessoas estão aprendendo que a fala tem limite. Penso eu que as pessoas no próximo reality estarão muito mais antenadas"

Resultado questionado 

Para Joelma Nascimento, estudante de Engenharia de 30 anos, o resultado do reality é questionável. "A Globo escolhe quem vence. Nas redes sociais, no Twitter mesmo, a maioria das pessoas que interagiam era contra ela (Paula)", disse.

A administradora Bianca Sacramento, de 26 anos, acha a vitória da mineira de Lagoa Santa "injusta". "Acho injusto, claro. Mas num país em que as pessoas escolheram como presidente alguém que fez declarações públicas racistas, escolher uma vencedora de reality racista não é nada. É só um jogo", afirma.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes

 

 

 

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