Justiça decreta a prisão de acusados de fraudar cursos a distância

A média paga pelos alunos, de acordo com a denúncia, é de R$ 700 pelo curso e R$ 200 pela publicação no Diário Oficial, podendo chegar até R$ 2 mil

Por O Dia

Rio - A 26ª Criminal do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público contra 24 pessoas acusadas de fraudar a emissão de certificados, históricos e diplomas do Ensino Médio, de cursos do Educação de Jovens e Adultos (EJA) e de cursos técnicos, na modalidade a distância. Sete deles tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Ana Valle, e outros 17 terão de cumprir medidas cautelares. Todos vão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato e falsidade ideológica.

A média paga pelos alunos, de acordo com a denúncia, é de R$ 700,00 pelo curso e R$ 200,00 pela publicação no Diário Oficial, podendo chegar até R$ 2.000,00. No entanto, muitos não conseguem ter a situação regularizada em virtude das falsidades dos documentos e do não cumprimento do prazo.

“O esquema criminoso é grande e afeta milhares de pessoas, conforme se depreende do procedimento investigatório, inclusive em diversos estados da Federação. Vários estudantes, ao tentarem ingressar na faculdade ou em um emprego, descobrem que seu diploma é falso e outros sequer conseguem o diploma, já que a instituição não cumpriu a legislação e/ou não possuía autorização para funcionar”, escreveu a juíza na decisão.

De acordo com as investigações, há indícios de que os colégios Instituto Educacional Luminis, Sistema Augusto de Educação Integrada (SAEI) e Centro de Formação, Aplicação e Cultura, apesar de terem autorização para os cursos a distância não cumpriam as regras estabelecidas pela Secretaria de Educação, tais como carga horária presencial, prazo para realização do curso, área de atuação, e utilizariam das instituições Ensino Livre Projeto Semear, Rede Winner, Polo de Ensino Rosana Barros e Ensino Já/ Supletivo Acelerado para captar, irregularmente, alunos. Essas instituições, segundo a denúncia, ficam em áreas onde as três primeiras não possuíam autorização para funcionar.

Além disso, segundo o MP, o Instituto Educacional Luminis, o Sistema Augusto de Educação Integrada (SAEI) e o Centro de Formação, Aplicação e Cultura se utilizariam de documentos do Centro Educacional Pódio, do Instituto Triunfo/ Jardim Escola Triunfo/ Colégio Marechal Hermes e do Centro Educacional Futura, que já tinham tido suas atividades encerradas pela Secretaria Estadual de Educação em virtude de fraudes.

Entre as irregularidades apontadas está o oferecimento do Ensino Médio em seis meses, contra os 18 meses fixados pela legislação; a inexistência de estrutura física - fiscais da Secretaria de Educação não encontraram professores, alunos, laboratórios e monitores –; e a possibilidade de eliminar matéria mediante pagamento. Para a exclusão de quatro matérias, por exemplo, o candidato deveria pagar R$ 610,00, o que não é permitido pela lei.

 

 

 

Comentários